09/04/2018 | Lançamento do livro "Na luta pelos bons lugares: Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais" de Alexandra Castro

09 四月 2018

 

 

Lançamento do livro "Na luta pelos bons lugares: Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais" de Alexandra Castro

 

No âmbito das comemorações do Dia Internacional do Cigano, o Observatório das Comunidades Ciganas vai lançar, na próxima segunda-feira, dia 09 de abril de 2018, o livro de Alexandra Castro "Na luta pelos bons lugares: Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais".

A sessão de lançamento, a ter lugar no Auditório do CNAIM de Lisboa (Rua Álvaro Coutinho, 14), às 16:00h, contará com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, do Alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado e do Presidente da EAPN Europa, Sérgio Aires, conforme Convite em anexo.

Livro disponível em livre acesso em versão PDF, aqui.  

Auditório do CNAIM de Lisboa (Rua Álvaro Coutinho, 14)
Imagem em Destaque

04-05/06/2018 | Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

04 六月 2018 - 05 五月 2018
Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

Promovido pela Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa de Braga, no âmbito do projeto Geração Tecla.E6G financiado pelo Programa Escolhas.

Em parceria com os projetos: CigaGiro.E6G, T3tris.e6G, Eurobairro.E6G, Gal@rtis.E6G, PlanoA.E6G, Ei!.E6G

Local: Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga

Contactos: geracaotecla.e6g@gmail.com / 916984371 / facebook: Geração Tecla.E6G

Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga
Imagem em Destaque

04 e 05/06/2018 | Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social
4 de 5 de Junho de 2018

Promovido pela Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa de Braga, no âmbito do projeto Geração Tecla.E6G financiado pelo Programa Escolhas.

Em parceria com os projetos: CigaGiro.E6G, T3tris.e6G, Eurobairro.E6G, Gal@rtis.E6G, PlanoA.E6G, Ei!.E6G

Local: Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga

Contactos: geracaotecla.e6g@gmail.com / 916984371 / facebook: Geração Tecla.E6G

Imagem em Destaque

04-05/06/2018 | Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social
4 de 5 de Junho de 2018

Promovido pela Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa de Braga, no âmbito do projeto Geração Tecla.E6G financiado pelo Programa Escolhas.

Em parceria com os projetos: CigaGiro.E6G, T3tris.e6G, Eurobairro.E6G, Gal@rtis.E6G, PlanoA.E6G, Ei!.E6G

Local: Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga

Contactos: geracaotecla.e6g@gmail.com / 916984371 / facebook: Geração Tecla.E6G


Coleção Olhares N. 9


Página de entrada (Boas-vindas)

Bem-vindo/a,

 

O Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig) é uma unidade informal integrada no Alto Comissariado para as Migrações (ACM, I.P.).

Pretendemos contribuir para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, para o reconhecimento social das pessoas, famílias e/ou comunidades ciganas e, consequentemente, para a desconstrução de mitos, representações e estereótipos desqualificantes.

Colaboraremos com centros de investigação, disponibilizaremos estudos e promoveremos debates, encontros e outras iniciativas.

 

Contamos consigo e com a sua colaboração.

 


Boas-vindas

Bem-vindo/a,

O Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig) é uma unidade informal integrada no Alto Comissariado para as Migrações (ACM, I.P.).
 
Pretendemos contribuir para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, para o reconhecimento social das pessoas, famílias e/ou comunidades ciganas e, consequentemente, para a desconstrução de mitos, representações e estereótipos desqualificantes.
 
Colaboraremos com centros de investigação, disponibilizaremos estudos e promoveremos debates, encontros e outras iniciativas.
 
Contamos consigo.
 

Obrigado por nos visitar!


Apoio ao Associativismo Cigano - Cerimónia de Assinatura de Protocolos PAAC 2018

Imagem em Destaque
Apoio ao Associativismo Cigano - Cerimónia de Assinatura de Protocolos PAAC 2018
Em presença da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, o ACM realizou esta segunda-feira, dia 9 de abril, no Auditório do CNAIM, de Lisboa, a Cerimónia de Assinatura dos Protocolos com os 8 projetos aprovados na II edição do Programa de Apoio ao Associativismo Cigano - PAAC 2018.
A ocasião, que contou com a presença do Alto-Comissário para as Migrações, Pedro Calado, terminou com o lançamento do livro "Na Luta Pelos Bons Lugares. Ciganos, Visibilidade e controvérsias espaciais”, de Alexandra Castro integrado na Coleção Olhares do Observatório das Comunidades Ciganas (OBCIG), que integra o ACM.
Numa aposta na mobilização, no envolvimento e na participação ativa das comunidades ciganas, em particular das associações ciganas na implementação da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC), a II Edição do PAAC apoia 8 projetos com a duração máxima de 10 (dez) meses, a decorrer entre 1 de março de 2018 e 31 de dezembro de 2018 e com o máximo de financiamento do ACM I.P. de 90% do custo total elegível de cada projeto aprovado, limitado ao valor máximo de 4.000,00€.
Esta nova edição do PAAC contempla ações que apostam na mediação intercultural, através da capacitação de pessoas ciganas para a promoção e facilitação da comunicação entre as comunidades ciganas e a sociedade maioritária, incentivando a participação ativa e o desenvolvimento das suas competências, através da sensibilização das instituições públicas para este recurso.  Iniciativas promotoras do investimento em estratégias de empoderamento das mulheres ciganas, contribuindo para a igualdade de género e/ou conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, constituem outras grandes apostas deste PAAC II.
A continuidade dos projetos é um objetivo centraldo PAAC. Com este intuito, os projetos visam ações e/ou iniciativas promotoras da participação ativa das comunidades ciganas, enquanto exercício de cidadania e com especial enfoque no associativismo, do combate à discriminação e sensibilização da opinião pública, bem como da valorização da história e cultura das comunidades ciganas.
“Há aqui um sinal de maturidade do associativismo cigano”
“Estamos a viver um momento ímpar no associativismo cigano. (…) Há uma geração dinâmica, capacitada e motivada que imprime novas formas de associativismo e de representação”, realçou a Secretária de Estado, acrescentando que esta nova geração “ vem apoiar os que já estão neste trabalho há muitas décadas”.
“Há aqui um sinal de maturidade do associativismo cigano”, realçou ainda Rosa Monteiro, elogiando as áreas fulcrais em que se centram os projetos aprovados no PAAC II.
A par “do reforço da capacidade associativa das comunidades ciganas”, “cerrar fileiras contra as manifestações de preconceito e discriminação” é, para Rosa Monteiro, essencial neste caminho de integração, indo ao encontro da aposta do Governo em “abrir portas” a uma maior participação ativa das comunidades ciganas.
Desconstruir "falsas ideias e preconceitos"
A cerimónia culminou com o lançamento do Livro "Na Luta Pelos Bons Lugares. Ciganos, Visibilidade e controvérsias espaciais”, uma obra da autoria de Alexandra Castro, que mereceu os elogios da Secretária de Estado: “É um livro inspirador que desmascara os “chavões” que ouvimos sobre as pessoas ciganas, e que vem promover um maior conhecimento sobre estas comunidades, combatendo assim a iliteracia existente sobre a cultura cigana, através da desconstrução das falsas ideias e preconceitos”.
Além da autora do livro, estiveram presentes nesta apresentação a Coordenadora do OBCIG, Maria José Casa-Nova, e o Presidente da Rede Europeia Anti- Pobreza, Sérgio Aires.

Coleção Olhares N 9

Coleção Olhares N 9 (版本 1.0)

Editor,18-4-13 下午2:38上传
评论
还没有评论。 发表第一个留言。

Dia Internacional das Pessoas Ciganas - OBCIG lança Newsletter comemorativa


Newsletter_ObCig_8_abril_2018.pdf

Newsletter_ObCig_8_abril_2018.pdf (版本 1.0)

Editor,18-4-9 下午6:30上传
116
评论
还没有评论。 发表第一个留言。

Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Bruno Pinto

Imagem em Destaque
Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Entrevistas
Bruno Pinto, 19 anos, 1.º ano do Curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial, Instituto Politécnico de Lisboa
Entrevista realizada no dia 28 de março de 2018, em Lisboa
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Pode contar-nos brevemente o seu percurso escolar até entrar na Universidade?
Bruno Pinto (BP): O meu percurso escolar foi por acaso bastante calmo... fiz o regular do 1º ao 12º ano, calmo, com alguns pedregulhos por cima, mas sempre ultrapassei por cima, foi calmo por acaso. Nunca chumbei, nunca tive nenhum problema.
ObCig: Nesta nova experiência, de frequência do Ensino Superior, o que gostaria de realçar na sua relação com os colegas?
BP: A minha relação com os colegas na universidade é boa, confortável, com algumas divergências, o que é plenamente normal na faculdade, penso que existe um respeito por onde estou, por quem sou, pela minha cultura, e penso que é isso, penso que é estável.
Obcig: E com os professores?
BP: É boa. Os professores ajudam-me em tudo, dão-me apoio no que eu precisar e existe uma preocupação com os alunos, porque existe uma proximidade no meu curso. Há uma proximidade com os professores porque é em salas fechadas não é em auditórios. Existe uma preocupação, o professor está ali em cima do aluno a ajudá-lo e gosto da relação entre aluno e professor.  
ObCig: E em relação ao ambiente universitário?
BP: É uma boa pergunta. É um choque. Foi um choque para mim, porque para mim o secundário foi fácil, aquilo não era nada para mim, só que depois cheguei à universidade, aí é o choque. É isto que é a universidade, é isto que é a realidade. Foi complicado ao início para me habituar... É complicado. Eu sou o único da minha família que entrei para a faculdade. Já conhecia muitas pessoas que foram, mas na minha família fui o único. Foi uma experiência nova, complicado, mas estou preparado para enfrentá-lo até ao resto da vida. Acabar o meu curso e arranjar um emprego.
ObCig: E em relação ao conhecimento científico?
BP: As principais dificuldades que tenho com o conhecimento científico, penso que não tenho problemas com isso. Tenho uma boa capacidade de memória, uma boa capacidade de compreensão. Penso que o meu principal problema é mais a gestão de tempo... é mais nesse âmbito, porque de resto penso que não tenho nenhum problema com isso.
ObCig: Em que medida considera que o facto de estar a tirar um curso superior está a mudar a sua vida e a forma como perspetiva o mundo?
BP: Faz-me dar mais valor à vida (...) Chegando à universidade, cheguei a isto e vi que tenho de lutar por aquilo que quero, se não não vou longe. Acordei para a realidade, como se diz... Estava só a viver naquela rotina, rotina... Quando entrei para aqui e foi um choque, mesmo. Tive que acordar, tive que lutar, tive que chorar. Vejo o mundo já não a preto e branco; já vejo o mundo mais às cores. Dá para conhecer mais as culturas, conhecer mais as pessoas, como interagir com elas, mais nesse âmbito.
ObCig: Quais são as suas expectativas quanto ao futuro?
BP: As minhas expectativas são arranjar um conhecimento, tanto académico como profissional para permitir não só procurar conhecer o mundo em si, mas também ter um trabalho sustentável e fixo, para poder arranjar uma família e ser feliz.
ObCig: O que gostaria de dizer aos outros e às outras jovens ciganas para os ajudar na construção de um caminho escolar de sucesso?
BP: Para lutarem, para estudarem. Quero dizer aos jovens para lutarem pelo que eles pensam. Normalmente pensam que se forem para a Faculdade vão esquecer a cultura. Não é verdade. Existem dois mundos. Podes estar num mundo dos ciganos e no mundo dos não ciganos. É possível. Eu faço isso. Quando estou na Universidade estou nesse mundo diferente, quando vou para casa estou com os meus amigos ciganos e estou num outro mundo. Penso que é fácil estar nos dois mundos. É estudarem e esforçarem-se, penso que qualquer um consegue. Se eu consegui, qualquer um consegue, ninguém é diferente de mim.
ObCig: Que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
BP: O que eu tenho a dizer à sociedade, ninguém tem resposta até agora. Para aceitarem melhor as diferenças, para aceitá-lo o que outro é, e não separá-lo. Integrá-lo no sentido em que aceita as suas diferenças, não torná-lo igual à sociedade maioritária. Respeitá-lo pelo que é. Integrá-lo no sentido em que o respeita, vê-lo como uma pessoa igual a ele, mas com uma cultura diferente. Esse é o principal conselho que eu dou à sociedade. Penso que isso vai ser difícil de mudar, porque isto vai perdurar por muitos e muitos anos.

Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Tânia Oliveira

Imagem em Destaque
Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Entrevistas
Tânia Oliveira, 1.º ano do Curso de Animação Socioeducativa, Escola Superior de Educação de Coimbra
Entrevista realizada no dia 23 de março de 2018, em Coimbra
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Pode contar-nos brevemente o seu percurso escolar até entrar na Universidade?
Tânia Oliveira (TO): Olá eu sou a Tânia, o meu percurso escolar foi até à 4ª classe, como todas as raparigas ciganas. Era o normal de ir até à 4ª classe, depois desisti por aí e fui para casa ajudar em casa. Mais tarde voltei a estudar, sempre tive um sonho, queria estudar e então mais tarde através da RVCC (Reconhecimento, validação e certificação de competências), fiz o sexto ano. Depois parei. Um tempo depois voltei a estudar novamente e através do RVCC fiz o 9º ano. Depois do 9º ano, então, entrei no ensino superior através dos maiores de 23. E através do projeto Opré Chavalé, que me deu oportunidade de realizar um sonho, que era ser mulher e cigana e estar na Universidade.
ObCig: Nesta nova experiência, de Frequência do Ensino Superior, o que gostaria de realçar na sua relação com os colegas?
TO: A minha relação com os meus colegas é muito boa. Tenho uma adaptação muito boa e isso também me facilitou na convivência com os meus colegas. Tenho tido o apoio deles em trabalhos de grupos e apontamentos. Por isso posso dizer que apesar de ser um meio novo, estou a adaptar-me muito bem e tenho o apoio dos meus colegas.
Obcig: E com os professores?
TO: A relação com os meus professores tem também sido excelente, porque quando tenho algumas dúvidas e algumas perguntas eles estão sempre lá para explicar. Isso é muito bom termos professores que se interessem pelos alunos e que dão atenção por isso está a correr muito bem.
ObCig: E em relação ao ambiente universitário?
TO: Eu acho que é um ambiente bom, apesar de eu estar a estudar em horário pós-laboral, não estou na Universidade durante o dia para ver o ambiente. Por isso nessa área não participo muito.
ObCig: E em relação ao conhecimento científico?
TO: A minha maior dificuldade foi por ter estado tanto tempo sem estudar, depois cheguei ao ensino superior e tive de acompanhar os outros jovens que estiveram no ensino regular, recorrente. Assim a minha maior dificuldade foi ter estado muito tempo sem estudar. Por isso agora quero recuperar.
ObCig: Em que medida considera que o facto de estar a tirar um curso superior está a mudar a sua vida e a forma como perspetiva o mundo?
TO: Sim, através deste Curso de Animação socioeducativa eu sei que vou ter muitas ferramentas que podem intervir, tanto informal como formal. Isto é uma área que sempre gostei, a mediação sociocultural, na qual trabalhei. Por isso é que me vai capacitar e dar-me muitas ferramentas para trabalhar nesta área.
ObCig: Quais são as suas expectativas quanto ao futuro?
TO: Neste momento quero terminar a licenciatura, depois quero tirar o mestrado, e quero trabalhar na minha associação para poder ajudar e capacitar outras mulheres ciganas nesta luta que é de todas nós, enquanto mulheres e ciganas. Existimos e resistimos e estamos numa luta e enquanto mulher e ativista, é uma luta que não é fácil. E estamos cá todas para nos ajudarmos umas às outras.
ObCig: O que gostaria de dizer aos outros e às outras jovens ciganas para os ajudar na construção de um caminho escolar de sucesso?
TO: Eu quero dizer aos outros jovens que nós também temos a oportunidade de estudar, que temos esses direitos, que podemos, e não vamos deixar que alguém nos diga, que nós ciganos não podemos chegar ao ensino superior, porque nós conseguimos. Se tivermos a força, a coragem, capacidade de lutar pelos nossos sonhos, ninguém nos pode impedir isso.
ObCig: Que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
TO: Que a sociedade não nos tente assimilar para deixarmos de ser ciganos. Eu costumo dizer uma frase que é muito minha que diz: “não tentes mudar o que sou, porque nem eu mesmo consigo”.
ObCig: Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
VL: Não, é só.

Vozes Ciganas na Universidade (Parte I), Emanuel Pratas

Imagem em Destaque
Vozes Ciganas na Universidade (Parte I), Entrevistas
Emanuel Pratas, 23 anos, 2.º ano do Curso de Animação Socioeducativa, Escola Superior de Educação de Coimbra
Entrevista realizada no dia 23 de março de 2018, em Coimbra
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Pode contar-nos brevemente o seu percurso escolar até entrar na Universidade?
Emanuel Pratas (EP): O meu percurso escolar até entrar na Universidade foi normal comparativamente às pessoas da sociedade maioritária, frequentei o ensino regular por todo o meu percurso e fiz o meu secundário em línguas e humanidades, no liceu Joaquim de Carvalho na Figueira da Foz.   
ObCig: Nesta nova experiência, de frequência do Ensino Superior, o que gostaria de realçar na sua relação com os colegas?
EP: A minha relação com os colegas é uma relação normal como as que eu tinha tido anteriormente no ensino secundário e no terceiro ciclo e tudo mais. Pensei que fosse ser uma adaptação mais difícil, mas o facto de eu já ter aquela bagagem e aquele ritmo facilitou um pouco a minha integração no ensino superior.   
Obcig: E com os professores?
EP: A minha relação com os professores tem sido até hoje o melhor possível, não estava à espera de uma relação melhor. Até posso mencionar nomes, tenho grandes amigos como professores, o diretor do curso António Leal e o professor Nuno Carvalho. São grandes pessoas, estão prontas a ajudar-me e a apoiar-me e foi graças a eles que eu ainda estou hoje a estudar.    
ObCig: E em relação ao ambiente universitário?
EP: Em relação ao ambiente universitário, é verdade que eu ainda não fui para as queimas, nem para as latadas, nem para a praxe, mas do pouco que eu vou vivendo tenho gostado muito desta experiência na minha vida e gostaria de prolongar e fazer um mestrado também.  
ObCig: E em relação ao conhecimento científico?
EP: Eu acho que o maior choque relativamente à questão do conhecimento científico que eu tive, e acho que todos os alunos também têm, são as normas que se devem preencher na elaboração de um trabalho de pesquisa, fazer as referências, fazer a pesquisa. Acho que isso foi o mais difícil para mim. Mas depois de eu aprender a fazer isso dá um certo gozo, procurar a matéria e depois inserir lá as normas da APA e citar. Ver o trabalho a ganhar forma, chegamos ao fim e vemos que citámos uma série de autores. Acho que isso dá muita personalidade ao trabalho.
ObCig: Em que medida considera que o facto de estar a tirar um curso superior está a mudar a sua vida e a forma como perspetiva o mundo?
EP: Acho que o facto de estar a frequentar o ensino superior, em primeiro lugar abre-me horizontes porque conheço outras pessoas, outras mentalidades, e as outras pessoas também estão a atravessar as mudanças que eu também estou a mudar e estou a enfrentar. E também vejo o mundo de forma diferente porque sinto que o mundo fica um bocadinho mais pequeno, porque a licenciatura e o mestrado abrem-nos portas seja na Europa ou noutros continentes e nessa questão acho que o ensino superior é uma porta para o mundo.  
ObCig: Quais são as suas expectativas quanto ao futuro?
EP: Eu gosto de levar as minhas expectativas e objetivos passo a passo. Eu quando me licenciar quero trabalhar e fazer um mestrado. E depois… fazer as coisas… é com cada objetivo vão aparecendo novas oportunidades consoante cada objetivo, se os cumprirmos ou não. Mas o meu grande objetivo e também é um sonho é ser euro deputado. Portanto, vamos ver se eu chego lá.
ObCig: O que gostaria de dizer aos outros e às outras jovens ciganas para os ajudar na construção de um caminho escolar de sucesso?
EP: O que eu posso dizer aos outros ciganos e às outras ciganas é que… o ensino e a educação são a maior ferramenta de mobilidade social. E se quisermos levar uma vida com um mínimo de conforto, temos também de levar os estudos também ao máximo das nossas capacidades. Eu noto isso também na minha vida, quanto mais eu estudo parece que a minha vida e a dos meus familiares tem mudado para melhor quanto mais progredimos nos estudos. Isso é muito bom.
ObCig: Que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
EP: A mensagem que eu gostaria de transmitir à sociedade em geral é que aprendam a viver na sociedade multicultural que nos ensinam nas escolas e que vivendo numa sociedade multicultural parte-se do princípio que existem diversas culturas e nessas diversas culturas está a cultura cigana e essa deve ser respeitada e deve haver um mínimo de convivência. E é nessa convivência que nós temos de construir uma sociedade ainda melhor. Gosto de me ver como resultado de como pode ser essa sociedade.

Vozes Ciganas na Universidade (Parte I), Vânia Lourenço

Imagem em Destaque
Vozes Ciganas na Universidade (Parte I), Entrevistas
Vânia Lourenço, 19 anos, 1.º ano do Curso de Direito, Universidade Portucalense
Entrevista realizada no dia 21 de março de 2018, no Porto
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Pode contar-nos brevemente o seu percurso escolar até entrar na Universidade?
Vânia Lourenço (VL): O meu percurso foi um percurso normal, como qualquer outra rapariga. Sempre andei na escola. Fiz um percurso normal, acabei o 12º ano e sempre tive a ideia de querer entrar na universidade. E hoje é onde estou.
ObCig: Nesta nova experiência, de Frequência do Ensino Superior, o que gostaria de realçar na sua relação com os colegas?
VL: Os meus colegas, as minhas amigas principalmente, eu sempre… aquelas amigas que já me são mais próximas, eu sempre fiz questão de dizer que sou cigana, porque acho que é uma coisa, primeiro que me orgulha muito e eu nunca… pelo menos… nunca conseguiria esconder aquilo que sou, porque é… porque faz parte da minha identidade, e por isso mesmo penso que nunca… nunca vou esconder aquilo que sou.
Obcig: E com os professores?
VL: Quanto aos professores, não são muitos os que sabem que sou cigana, vai surgindo ou quando descobrem que eu sou cigana, ficam sempre todos muito contentes.
ObCig: E em relação ao ambiente universitário?
VL: É um bocadinho diferente do secundário. É… é diferente. Temos de estudar mais, estudamos mais sozinhos.
ObCig: Em que medida considera que o facto de estar a tirar um curso superior está a mudar a sua vida e a forma como perspetiva o mundo?
VL: Claro que sim vai mudar. Se eu tiver mais competências as possibilidades de emprego e na área que eu quero serão ainda maiores.
ObCig: O que gostaria de dizer aos outros e às outras jovens ciganas para os ajudar na construção de um caminho escolar de sucesso?
VL: Eu na minha opinião acho que… se nós queremos deixar de ser aquela parte da sociedade, que… (tem-se essa ideia, não significa que é verdade), são uns coitadinhos, são uns… estão sempre ali… uns pobres e isso tudo... a nossa maior arma é sem dúvida a educação e… estudando nós podemos fazer não só com que nós enquanto pessoas evoluamos, mas damos um contributo enorme para toda a nossa etnia. E é esse o conselho que eu dou, que a arma é que é a educação para nós conseguirmos seguir em frente.
ObCig: Que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
VL: Para a sociedade maioritária eu costumo, costumo dizer que… existem muitos preconceitos e um conselho que eu dou, é que antes de nos criticarem, ou dizerem que isto é assim ou que isto é assado, que procurem conversarem, conhecer se é realmente assim, se não é. E eu acho que isso também é uma maneira de acabar com os preconceitos e com aquilo que vem com os preconceitos, o racismo e as intolerâncias.

Bruno_Pinto_portal.jpg

Bruno_Pinto_portal.jpg (版本 1.0)

Editor,18-4-9 下午5:12上传
评论
还没有评论。 发表第一个留言。

Tania_Oliveira_portal.jpg

Emanuel_Pratas_portal.jpg

Vania_Lourenco_portal.jpg

EDUCAÇÃO

由……支持 Liferay