Dissertações de Mestrado, Teses de Doutoramento e projetos de investigação - Candidaturas de 1 de outubro a 31 de dezembro

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Dissertações de Mestrado, Teses de Doutoramento e projetos de investigação - Candidaturas de 1 de outubro a 31 de dezembro
Com o intuito de dar continuidade à Coleção Olhares, o Observatório das Comunidades Ciganas (OBCIG) vai abrir, de 1 de outubro a 31 de dezembro de 2018, o período de candidaturas à apresentação de Dissertações de Mestrado, Teses de Doutoramento e projetos de investigação.
Consulte o Edital

OBCIG lança Newsletter de julho - "Jovens ciganos/as no Ensino Secundário" em destaque

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OBCIG lança Newsletter de julho - "Jovens ciganos/as no Ensino Secundário" em destaque
"Os jovens ciganos/as no Ensino Secundario" é o tema central da Newsletter de julho do Observatório das Comunidades Ciganas (OBCIG).
 
 

 

 

 


Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte I), Mário Vaz Maia

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Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte I), Entrevistas
MÁRIO VAZ MAIA, 19 ANOS, 11.º ANO, LISBOA
Entrevista realizada em julho de 2018, em lisboa
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Podes contar-nos brevemente o teu percurso escolar até ao Ensino Secundário?
Mário Vaz Maia (MVM): O meu percurso escolar, o ensino primário frequentei a escola aqui do bairro, o bairro da Picheleira. Em seguida do quinto até ao nono, andei na escola das Olaias, onde reprovei o 8.º ano, depois no 10.º ano fui para Escola Padre António Vieira em Alvalade, segui Economia, depois recuei um ano, entrei em Gestão Desportiva na Dona Luísa de Gusmão e passei para o 11.º ano, este ano acabei o 11.º ano e para o ano vou para o 12.º.
ObCig: Da tua experiência de frequência do Ensino Secundário, o que gostarias de dizer no que diz respeito à tua relação com os e as colegas?
MVM: A minha relação com os meus colegas no ensino secundário sempre foi boa desde o 10.º ano, por acaso apanhei colegas de várias etnias e de várias raças e correu sempre tudo bem.
ObCig: E com os/as professores/as?
MVM: Com os meus professores também. Tenho noção que dentro da sala de aula há uma hierarquia e que tenho sempre de respeitar.
ObCig: E o ambiente da escola?
MVM: O ambiente da escola fora da minha sala de aula também é sempre bom, sei sempre quem devo respeitar em toda a comunidade escolar.
ObCig: E sobre os conhecimentos que aprendes?
MVM: Neste curso falo mais… as disciplinas são um bocado diferentes porque o meu curso é virado para criar eventos e gerir espaços desportivos e aprendo sempre coisas diferentes, claro. O desporto é uma coisa que eu gosto.
ObCig: O que achas que pode mudar na tua vida continuando a estudar? Tu estás a pensar ir para a universidade? Porquê?
MVM: Como a vida está hoje em dia é sempre bom seguir mais e mais, e como eu quero ter uma vida estabilizada para o futuro penso que é bom seguir o ensino superior. Na Universidade eu estou virado para estudar a marinha, mas ainda não sei, ainda estou a decidir.
OBCig: Presentemente existem vários jovens e adultos ciganos na universidade. O que achas disso?
MVM: Os jovens de etnia cigana que seguem é bom, é muito bom, para mostrarmos às pessoas que também conseguimos e que somos alunos como os outros e também é um passo que eu quero seguir.
ObCig: O que gostarias de dizer aos outros e às outras jovens ciganos, principalmente aos que estão no 3.º ciclo, para os motivar a continuar na escola?
MVM: O que queria dizer a esses jovens que as coisas de antigamente para hoje em dia já mudaram, as tradições vão mudando e que não é preciso saírem da escola para seguir a venda ou o que os ciganos fazem, mas que sigam a escola e que estudem e que deem uma vida melhor aos pais ou às famílias e é sempre bom.
ObCig: Que mensagem gostarias de transmitir à sociedade?
MVM: Ao ser cigano nunca sofri nenhum tipo de preconceito ou racismo ou o que seja, correu sempre tudo muito bem. Acredito que em outras zonas ou com outros jovens isso aconteça e fora da vida escolar isso acontece, mas comigo sempre tudo correu bem, graças a Deus.

Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte II), Tomé Navarro

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Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte II), Entrevistas
TOMÉ NAVARRO, 18 ANOS, 11.º ANO
Entrevista realizada em julho de 2018, em Braga
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Podes contar-nos brevemente o teu percurso escolar até ao Ensino Secundário?
Tomé Navarro (TN): O meu percurso foi um bocado difícil porque os meus pais foram mudando de sítio para sítio então perdi aí um ano escolar. Fui sempre lutando, nunca desistindo, porque foi sempre aquilo que eu quis. A única pessoa que lutava por mim era a minha mãe que dizia “o meu filho tem de ser diferente dos outros tem que ter alguma coisa na vida”. Então sempre me disse: “tu não vais sair da escola e foi sempre assim, também me meti na cabeça que era isto que eu queria, era terminar o 12.º ano e é o que está a acontecer.
ObCig: Da tua experiência de frequência do Ensino Secundário, o que gostarias de dizer no que diz respeito à tua relação com os e as colegas?
TN: A minha relação com os meu colegas desde o 6º ano tem sido bastante diferente, já me têm aceitado… têm olhado… olham para mim de maneira diferente “ok, é cigano mas temos de lhe dar uma oportunidade”, é bastante bom. Nunca pensei ter assim uma relação com eles.
ObCig: E com os/as professores/as?
TN: Com os professores é fantástico, eles pegam sempre comigo “és cigano” mas é uma maneira de brincar.
ObCig: E o ambiente da escola?
TN: O ambiente da escola é agradável. Eu gosto de estar lá e é um prazer de estar onde eu estou porque me sinto confortável porque me sinto bem aceite naquele sítio.
ObCig: E sobre os conhecimentos que aprendes?
TN: Retiramos algumas informações dessas disciplinas para o nosso futuro, são as ferramentas que nos vão ajudar em quase em tudo… a matemática e mais não sei quê, mas vão-nos ajudar depois. Porque depois vou fazer projetos, trabalhar fora e aplico as ferramentas que eu aprendi e que estou a aprender neste momento e aplico-as em várias áreas. Se tiverem consciência vão notar que a matéria que estamos a dar é-nos fundamental para o nosso futuro.  
ObCig: Presentemente existem vários jovens e adultos ciganos na universidade. O que achas disso? Tu estás a pensar ir para a universidade? Porquê?
TN: Acho fantástico haver jovens de etnia cigana no ensino superior porque também é um exemplo para mostrar à comunidade, mostrar à sociedade que nós também temos capacidades e temos os direitos e os deveres de ir para o ensino superior. Já estou a tentar tratar desse processo, é um processo longo, mas contudo e com o tempo consigo chegar lá. Vai ser um bom exemplo, mesmo para a minha família.
ObCig: O que achas que pode mudar na tua vida continuando a estudar?
TN: Conseguir ir para a Universidade, era aquilo que eu queria. Claro que vou-me sentir diferente, vai mudar a minha vida. A minha mãe vai olhar para mim de outra maneira, vai dizer,  “ok, afinal tu conseguiste”. Vai-me mudar a mim e as pessoas que me rodeiam.
ObCig: O que gostarias de dizer aos outros e às outras jovens ciganos, principalmente aos que estão no 3.º ciclo, para os motivar a continuar na escola?
TN: Nunca desistam dos vossos sonhos, sendo eles difíceis ou não, lutem, porque se é aquilo que vocês querem, nunca deixem ficar para traz, agarrem as oportunidades que têm porque depois não vão surgir outras, agarrem naquela oportunidade como se fosse única.
ObCig: Que mensagem gostarias de transmitir à sociedade?
TN: A mensagem que eu gostava de deixar para a sociedade é que comecem a pensar de forma diferente e saber dar oportunidades é bastante bom, porque eu já passei por circunstâncias em que uma pessoa a olhar para um cigano, passou-se com a minha tia, disse está ali uma cigana, pegou na miúda e retirou-a do lugar onde ela estava, isto é ridículo, não é? Existem direitos e deveres que temos de respeitá-los. Então a sociedade devia, olhar de uma maneira diferente para a minha comunidade, porque ainda existe bastante discriminação, eu às vezes ainda fico claro um bocado abalado, porque é difícil olhar para hoje em dia no século XXI e ainda haver pessoas com esse tipo de pensamento.
ObCig: Queres acrescentar mais alguma coisa a esta entrevista?
TN: Sofremos com racismo, sim sofremos, mas mesmo na nossa própria comunidade fazemos um pouco de discriminação às outras pessoas, eu acho isso um erro. Se nós sofremos porque é que vamos fazer com os outros. Nós ciganos também temos de mudar o nosso pensamento, mudar a nossa própria cultura, as nossas regras porque isto afecta-nos muito na nossa vida. Às vezes as raparigas de etnia cigana querem ter o seu percurso escola e os pais chegam lá “não vais seguir porque és rapariga”, os rapazes já podem. Lá está, estou aqui estou a quebrar os direitos também que as raparigas têm, “por ser rapariga não podes estudar, qual é a tua”… não tem lógica nenhuma, então se o rapaz pode, a mulher pode também. Começar a mudar esse tipo de pensamento porque não estão a prejudicar a vocês estão a prejudicar à filha e o futuro. Porque eles estão a pensar no momento na família e no respeito. Mas estão a tirar o respeito à rapariga, à miúda. Estar no percurso escolar e retirarem-lhe o que ela gosta, não tem lógica nenhuma. Eu sou contra.

Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte II), Marta de Jesus

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Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte II), Entrevistas
MARTA DE JESUS, 18 ANOS, 10.º ANO
Entrevista realizada em julho de 2018, em Vila Verde
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Podes contar-nos brevemente o teu percurso escolar até ao Ensino Secundário?
Marta de Jesus (MdJ): O meu percurso escolar foi bom e normal mas com algumas dificuldades. Mas com o passar do tempo eu consegui ultrapassá-las com motivação e consegui.
ObCig: Da tua experiência de frequência do Ensino Secundário, o que gostarias de dizer no que diz respeito à tua relação com os e as colegas?
MdJ: Nunca tive esse tipo de relacionamento, assim de mau… “Olha aquela cigana” ou assim… Não.  Sempre foi bom.
ObCig: E com os/as professores/as?
MdJ: O meu relacionamento com os professores foi bom, uns que gosto mais, outros menos, mas sempre mantive respeito.
ObCig: E o ambiente da escola?
ObCig: E sobre os conhecimentos que aprendes?
MdJ: As disciplinas que eu gosto mais é o Francês, Português e Economia.
ObCig: Presentemente existem vários jovens e adultos ciganos na universidade. O que achas disso? Tu estás a pensar ir para a universidade? Porquê?
MdJ: Sei que existe muito pessoal, muitos jovens ciganos no ensino superior e eu acho que isso é um bom exemplo para todos… Estou a pensar ir para a universidade pois eu tenho objetivos. Eu estou a pensar ir para a Universidade e ser diferente, dar um exemplo à comunidade onde estou.
ObCig: O que achas que pode mudar na tua vida continuando a estudar?
MdJ: A importância de continuar a estudar, eu acho que a escola é uma base para tudo, acho que é tipo uma pirâmide e temos de chegar lá no topo, então acho que a escola está em primeiro lugar. Por isso eu digo aos mais jovens do que eu para continuarem a estudar, para que não parem e que tenham uma força de vontade. Eu sei que alguns vão encontrar vários obstáculos mas vão ter que enfrentar e conseguir ultrapassar.
ObCig: Que mensagem gostarias de transmitir à sociedade?
MjD: Eu gostava de transmitir à sociedade que todos somos iguais, que temos os mesmos direitos e que ninguém é mais do que ninguém e que assim não vamos a lado nenhum.
Todos nós juntos conseguimos transformar a sociedade.

Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte I), Porfírio Santo

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Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte I), Entrevistas
PORFÍRIO SANTO, 18 ANOS, 11.º ANO
Entrevista realizada em julho de 2018, em Vila Verde
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Podes contar-nos brevemente o teu percurso escolar até ao Ensino Secundário?
Porfírio Santo (PS): Desde muito pequeno veio de mim sempre uma grande ambição, o que faz com que o percurso escolar sempre foi… seja com sucesso.
ObCig:   Da tua experiência de frequência do Ensino Secundário, o que gostarias de dizer no que diz respeito à tua relação com os e as colegas?
PS: A minha relação com os colegas… sou um rapaz que sempre procuro interagir com as pessoas. Conhecer pessoas novas.
ObCig: E com os/as professores/as?
PS: Eu adoro os meus professores assim como sei que eles também me adoram a mim.
ObCig: E sobre os conhecimentos aprendes?
PS: Sobre as disciplinas acho que é muito bom por duas partes, primeiramente pela parte académica é muito bom, mas também a nível pessoal é ótimo. Gosto muito de história e de português o que me leva futuramente para Direito, por outro lado também gosto de Matemática o que me leva para as engenharias.
ObCig: Presentemente existem vários jovens e adultos ciganos na universidade. O que achas disso? Tu estás a pensar ir para a universidade? Porquê?
PS: Ter jovens ciganos no ensino superior enche-me a alma…é um grande exemplo e ainda por cima para jovens como eu, com esta mentalidade e com estes objetivos de alcançar o ensino superior e ver que ciganos conseguiram com certeza através de muito trabalho e dedicação. Com grandes obstáculos que existem da parte, lá está, dos preconceitos, dos racismos e conseguiram chegar lá. Eu pergunto, se não houvesse racismo ou preconceitos, onde é que os ciganos estavam agora? É um exemplo, falo por mim, é um grande exemplo e é fantástico. Claro que estou a pensar ir para a Universidade. Esse é o meu grande primeiro sonho. Uma das principais razões vem de mim, quero ser um exemplo. E depois de ter conhecido algumas pessoas ciganas… para mim são os meus ídolos, com quem estive presente com esses ciganos universitários, o que é fantástico.
ObCig: O que achas que pode mudar na tua vida continuando a estudar?
PS: Se eu não continuar os estudos eu vou ser o Porfírio, acho que isso não ia trazer qualquer qualidade a nível profissional e até pessoal, isto porquê? Porque acho que é muito importante nós estudarmos, continuarmos os estudos, porque primeiramente a nível académico é sempre muito importante no nosso currículo ter ali o ensino superior e também a nível pessoal, ficamos mais… é aquela questão do orgulho. Aquela questão, sou engenheiro, sou um advogado, é outra classe digamos.
ObCig: O que gostarias de dizer aos outros e às outras jovens ciganos, principalmente aos que estão no 3.º ciclo, para os motivar a continuar na escola?
PS: Acreditem em vocês. Têm que pular a cerca, abrir horizontes, têm que abrir a mentalidade, porque lá está é para abrir mentalidade dos ciganos e da parte da sociedade maioritária.
ObCig: Que mensagem gostarias de transmitir à sociedade?
PS: A questão do preconceito como é que eu posso olhar para uma pessoa e já defini-la… Acho que as pessoas deviam relacionar-se mais, deixar-se levar, não só porque ele é escuro, porque ele é preto, porque ele é cigano, ele é uma pessoa normal, ele quer ter as mesmas condições que têm todos, porque é que alguns têm de estar por cima e outros têm de estar por baixo. Se ele tem capacidade, se ele tem qualidades, se ele tem estudos, porque é que não têm os mesmos direitos, as mesmas oportunidades. Não só é importante a sociedade maioritária abrir as portas para a Comunidade Cigana como os próprios ciganos também têm que abrir as portas para a sociedade maioritária. Eu sou cigano e já tive um ato de preconceito com um rapaz, mas no final das contas ele acabou por ser o meu melhor amigo, isto porquê? Eu abri-me para ele assim como ele se abriu para mim, os dois, e acho que isso é importante. Por isso, a melhor maneira mesmo é abrir mentalidades, abrir horizontes e relacionar-se.

Sobre o ObCig

O Governo de Portugal, consciente da necessidade de promover a integração das comunidades ciganas, aprovou, em 2013, a Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC), Resolução do Conselho de Ministros n.º 25/2013 de 27 de Março.
A Estratégia surge, neste contexto, como uma plataforma para o desenvolvimento de uma intervenção alargada e articulada, onde os vários ministérios, municípios, organizações da sociedade civil, academia e comunidades ciganas, entre outros, contribuem ativamente para a concretização dos objetivos traçados.
Face à escassez de estudos e informação relativa às comunidades ciganas, por forma a definir um diagnóstico robusto, a avaliar as dinâmicas e os resultados decorrentes da Estratégia, mas também a produzir um conhecimento aprofundado da temática, a ENICC prevê, no seu Eixo Transversal, Prioridade 2, a criação do “Observatório das Comunidades Ciganas” para promover a realização e edição de estudos sobre as comunidades ciganas.
Assim, o Observatório das Comunidades Ciganas (OBCIG), contribui não só para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia, mas também para a conceção, implementação e avaliação das políticas públicas neste domínio, apresentando-se como um motor de criação de redes de cooperação, académica, científica e institucional, bem como o diálogo entre a academia e os decisores políticos.
Por outro lado, ObCig assume a necessidade de desconstrução de mitos, representações e/ou estereótipos acerca das comunidades ciganas em geral, que persistem na sociedade portuguesa. Deste modo, o conhecimento adquirido e/ou produzido será incorporado em várias iniciativas e/ou suportes que permitam a concretização deste importante objetivo.

 

 
a) Auxiliar na produção de recomendações para a conceção de políticas públicas para a população portuguesa cigana ou residente em Portugal.
b) Promover e realizar investigação em áreas estratégicas visando o conhecimento e a integração da população cigana numa perspetiva de igualdade.
c) Contribuir para a desconstrução de estereótipos, principalmente através da participação em conferências, seminários, workshops e ações de formação.
d) Promover um diálogo construtivo entre a academia e os decisores políticos com vista a potenciar a igualdade de oportunidades e os Direitos Humanos tendo como cerne a população cigana.
e) Dar continuidade à Coleção Olhares, publicando, em edição impressa, investigação científica já realizada (resultados de projetos de investigação, dissertações de mestrado ou teses de doutoramento), com particular interesse para o conhecimento das comunidades ciganas e a decisão política sustentada.
f) Sem prejuízo da criação de outras coleções, criar a Coleção Estudos OBCIG, em edição impressa, com o objetivo de promover a produção de investigação científica temática nas áreas da Estratégia ou afins.
g) Disponibilizar, nomeadamente no sítio do OBCIG, investigação realizada e não publicada, como dissertações de mestrado e teses de doutoramento.
h) Promover a edição de brochuras que contribuam para a desconstrução, cientificamente sustentada, de estereótipos.
i) Promover conferências nacionais e internacionais, nomeadamente nos vários eixos da Estratégia Nacional para a integração das comunidades ciganas (ENICC).
j) Estabelecer uma rede de parcerias com Centros de Investigação nacionais e internacionais.
k) Participar em projetos de investigação internacionais que visem aprofundar conhecimento existente ou produzir novo conhecimento sobre a população cigana numa perspetiva comparada.
l) Participar em redes académicas de promoção e divulgação científicas e de políticas sociais.
m) Criar uma rede internacional de parcerias com organizações não governamentais que trabalhem com população cigana e, globalmente, com problemáticas relativas a Direitos Humanos.
n) Criar uma Newsletter de caráter científico e informativo.
o) Participar em congressos, conferências e seminários nacionais e internacionais, divulgando a atividade científica do OBCIG e as políticas públicas para a integração da população cigana.
p) Participar em reuniões internacionais de relevância face aos objetivos do OBCIG e, globalmente, do ACM.
 

Regulamento do ObCig

 

Artigo1º

Missão

O Observatório das comunidades ciganas (OBCIG) é uma unidade informal autónoma no âmbito do Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e tem como missão o estudo e o acompanhamento estratégico e científico da população cigana em Portugal e o apoio ao ACM, nomeadamente no que diz respeito à produção de recomendações para a conceção de políticas públicas.

Artigo2º

Atribuições

A missão do OBCIG cumpre-se, designadamente, através das seguintes atribuições:

 

a) Auxiliar na produção de recomendações para a conceção de políticas públicas para a população portuguesa cigana ou residente em Portugal.

 

b) Promover e realizar investigação em áreas estratégicas visando o conhecimento e a integração da população cigana numa perspetiva de igualdade.

 

c) Contribuir para a desconstrução de estereótipos, principalmente através da participação em conferências, seminários, workshops e ações de formação.

 

d) Promover um diálogo construtivo entre a academia e os decisores políticos com vista a potenciar a igualdade de oportunidades e os Direitos Humanos tendo como cerne a população cigana.

 

e) Dar continuidade à Coleção Olhares, publicando, em edição impressa, investigação científica já realizada (resultados de projetos de investigação, dissertações de mestrado ou teses de doutoramento), com particular interesse para o conhecimento das comunidades ciganas e a decisão política sustentada.

 

f) Sem prejuízo da criação de outras coleções, criar a Coleção Estudos OBCIG, em edição impressa, com o objetivo de promover a produção de investigação científica temática nas áreas da Estratégia ou afins.

 

g) Disponibilizar, nomeadamente no sítio do OBCIG, investigação realizada e não publicada, como dissertações de mestrado e teses de doutoramento.

 

h) Promover a edição de brochuras que contribuam para a desconstrução, cientificamente sustentada, de estereótipos.

 

i) Promover conferências nacionais e internacionais, nomeadamente nos vários eixos da Estratégia Nacional para a integração das comunidades ciganas (ENICC).

 

j) Estabelecer uma rede de parcerias com Centros de Investigação nacionais e internacionais.

 

k) Participar em projetos de investigação internacionais que visem aprofundar conhecimento existente ou produzir novo conhecimento sobre a população cigana numa perspetiva comparada.

 

l) Participar em redes académicas de promoção e divulgação científicas e de políticas sociais.

 

m) Criar uma rede internacional de parcerias com organizações não governamentais que trabalhem com população cigana e, globalmente, com problemáticas relativas a Direitos Humanos.

 

n) Criar uma Newsletter de caráter científico e informativo.

 

o) Participar em congressos, conferências e seminários nacionais e internacionais, divulgando a atividade científica do OBCIG e as políticas públicas para a integração da população cigana.

 

p) Participar em reuniões internacionais de relevância face aos objetivos do OBCIG e, globalmente, do ACM.

 

 

Artigo 3º

Estrutura

1. O OBCIG é dirigido por um/a Coordenador/a, com um perfil preferencialmente académico, doutorado/a ou com experiência profissional relevante na área de estudos das comunidades ciganas.

 

2. O/A Coordenador/a é designado/a por despacho do Alto-Comissário por um período de um ano, sucessivamente renovável por idênticos períodos.

 

3. O/A Coordenador/a do OBCIG desempenha as suas funções com autonomia científica, sem prejuízo de articulação com o ACM em todas as decisões estratégicas necessárias a uma articulação em consonância com os princípios, valores e políticas do ACM.

 

4. O/A Coordenador/a do OBCIG é auxiliado na sua missão por um número não inferior a dois técnicos operacionais, podendo recorrer, para o exercício das suas funções, aos demais departamentos do ACM, nomeadamente ao Núcleo de Apoio às Comunidades Ciganas (GACI), bem como a colaboradores/as externos.

 

Artigo 4º

Orçamento

1. O OBCIG possui um orçamento próprio, integrado no orçamento do ACM.

 

2. A gestão orçamental do OBCIG pertence ao ACM.

 

 

Artigo 5º

Plano de atividades e Relatório

1. A missão e atribuições do OBCIG concretizam-se no plano de atividades, a apresentar anualmente pelo/a Coordenador/a do OBCIG ao Alto-Comissário, sendo por este aprovado.

 

2. O plano de atividades poderá ser objeto de alterações sempre que se considerar necessário, ficando as mesmas sujeitas à aprovação do/a Coordenador/a do OBCIG e homologadas pelo Alto-Comissário.

 

3. A concretização do plano de atividades será plasmada em relatório anual elaborado pelo/a Coordenador/a, a aprovar pelo Alto-Comissário.

 

 

Artigo 6º

(entrada em vigor)

O presente regulamento entra em vigor na data da sua homologação.

 

 


Seminário 'Educação para todos'

28 May 2018

Seminário 'Educação para todos'

 

O CNE pretende dar visibilidade aos elos mais frágeis do sistema, na tentativa de identificar os eventuais problemas com que se deparam e as respostas que ao nível da escola, em articulação com outras instituições, poderão contribuir para moderar as desigualdades e melhorar a equidade do sistema. 

 

Ver o programa completo aqui.

Participação de Maria José Casa-Nova às 14h30 na sessão: "Os discriminados: Crianças de etnia cigana" 

Auditório Conselho Nacional de Educação
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09/04/2018 | Lançamento do livro "Na luta pelos bons lugares: Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais" de Alexandra Castro

09 Apr 2018

Lançamento do livro "Na luta pelos bons lugares: Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais" de Alexandra Castro

 

No âmbito das comemorações do Dia Internacional do Cigano, o Observatório das Comunidades Ciganas vai lançar, na próxima segunda-feira, dia 09 de abril de 2018, o livro de Alexandra Castro "Na luta pelos bons lugares: Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais".

A sessão de lançamento, a ter lugar no Auditório do CNAIM de Lisboa (Rua Álvaro Coutinho, 14), às 16:00h, contará com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, do Alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado e do Presidente da EAPN Europa, Sérgio Aires, conforme Convite em anexo.

Livro disponível em livre acesso em versão PDF, aqui.  

Auditório do CNAIM de Lisboa (Rua Álvaro Coutinho, 14)
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04-05/06/2018 | Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

04 Jun 2018 - 05 May 2018
Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

Promovido pela Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa de Braga, no âmbito do projeto Geração Tecla.E6G financiado pelo Programa Escolhas.

Em parceria com os projetos: CigaGiro.E6G, T3tris.e6G, Eurobairro.E6G, Gal@rtis.E6G, PlanoA.E6G, Ei!.E6G

Local: Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga

Contactos: geracaotecla.e6g@gmail.com / 916984371 / facebook: Geração Tecla.E6G

Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga
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04 e 05/06/2018 | Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social
4 de 5 de Junho de 2018

Promovido pela Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa de Braga, no âmbito do projeto Geração Tecla.E6G financiado pelo Programa Escolhas.

Em parceria com os projetos: CigaGiro.E6G, T3tris.e6G, Eurobairro.E6G, Gal@rtis.E6G, PlanoA.E6G, Ei!.E6G

Local: Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga

Contactos: geracaotecla.e6g@gmail.com / 916984371 / facebook: Geração Tecla.E6G

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04-05/06/2018 | Seminário: "Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social"

Comunidades Ciganas: A importância das relações na intervenção social
4 de 5 de Junho de 2018

Promovido pela Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa de Braga, no âmbito do projeto Geração Tecla.E6G financiado pelo Programa Escolhas.

Em parceria com os projetos: CigaGiro.E6G, T3tris.e6G, Eurobairro.E6G, Gal@rtis.E6G, PlanoA.E6G, Ei!.E6G

Local: Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga - Campus Camões, 4710-362 Braga

Contactos: geracaotecla.e6g@gmail.com / 916984371 / facebook: Geração Tecla.E6G


Coleção Olhares N. 9


Página de entrada (Boas-vindas)

Bem-vindo/a,

 

O Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig) é uma unidade informal integrada no Alto Comissariado para as Migrações (ACM, I.P.).

Pretendemos contribuir para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, para o reconhecimento social das pessoas, famílias e/ou comunidades ciganas e, consequentemente, para a desconstrução de mitos, representações e estereótipos desqualificantes.

Colaboraremos com centros de investigação, disponibilizaremos estudos e promoveremos debates, encontros e outras iniciativas.

 

Contamos consigo e com a sua colaboração.

 


Boas-vindas

Bem-vindo/a,

O Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig) é uma unidade informal integrada no Alto Comissariado para as Migrações (ACM, I.P.).
 
Pretendemos contribuir para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, para o reconhecimento social das pessoas, famílias e/ou comunidades ciganas e, consequentemente, para a desconstrução de mitos, representações e estereótipos desqualificantes.
 
Colaboraremos com centros de investigação, disponibilizaremos estudos e promoveremos debates, encontros e outras iniciativas.
 
Contamos consigo.
 

Obrigado por nos visitar!


Apoio ao Associativismo Cigano - Cerimónia de Assinatura de Protocolos PAAC 2018

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Apoio ao Associativismo Cigano - Cerimónia de Assinatura de Protocolos PAAC 2018
Em presença da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, o ACM realizou esta segunda-feira, dia 9 de abril, no Auditório do CNAIM, de Lisboa, a Cerimónia de Assinatura dos Protocolos com os 8 projetos aprovados na II edição do Programa de Apoio ao Associativismo Cigano - PAAC 2018.
A ocasião, que contou com a presença do Alto-Comissário para as Migrações, Pedro Calado, terminou com o lançamento do livro "Na Luta Pelos Bons Lugares. Ciganos, Visibilidade e controvérsias espaciais”, de Alexandra Castro integrado na Coleção Olhares do Observatório das Comunidades Ciganas (OBCIG), que integra o ACM.
Numa aposta na mobilização, no envolvimento e na participação ativa das comunidades ciganas, em particular das associações ciganas na implementação da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC), a II Edição do PAAC apoia 8 projetos com a duração máxima de 10 (dez) meses, a decorrer entre 1 de março de 2018 e 31 de dezembro de 2018 e com o máximo de financiamento do ACM I.P. de 90% do custo total elegível de cada projeto aprovado, limitado ao valor máximo de 4.000,00€.
Esta nova edição do PAAC contempla ações que apostam na mediação intercultural, através da capacitação de pessoas ciganas para a promoção e facilitação da comunicação entre as comunidades ciganas e a sociedade maioritária, incentivando a participação ativa e o desenvolvimento das suas competências, através da sensibilização das instituições públicas para este recurso.  Iniciativas promotoras do investimento em estratégias de empoderamento das mulheres ciganas, contribuindo para a igualdade de género e/ou conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, constituem outras grandes apostas deste PAAC II.
A continuidade dos projetos é um objetivo centraldo PAAC. Com este intuito, os projetos visam ações e/ou iniciativas promotoras da participação ativa das comunidades ciganas, enquanto exercício de cidadania e com especial enfoque no associativismo, do combate à discriminação e sensibilização da opinião pública, bem como da valorização da história e cultura das comunidades ciganas.
“Há aqui um sinal de maturidade do associativismo cigano”
“Estamos a viver um momento ímpar no associativismo cigano. (…) Há uma geração dinâmica, capacitada e motivada que imprime novas formas de associativismo e de representação”, realçou a Secretária de Estado, acrescentando que esta nova geração “ vem apoiar os que já estão neste trabalho há muitas décadas”.
“Há aqui um sinal de maturidade do associativismo cigano”, realçou ainda Rosa Monteiro, elogiando as áreas fulcrais em que se centram os projetos aprovados no PAAC II.
A par “do reforço da capacidade associativa das comunidades ciganas”, “cerrar fileiras contra as manifestações de preconceito e discriminação” é, para Rosa Monteiro, essencial neste caminho de integração, indo ao encontro da aposta do Governo em “abrir portas” a uma maior participação ativa das comunidades ciganas.
Desconstruir "falsas ideias e preconceitos"
A cerimónia culminou com o lançamento do Livro "Na Luta Pelos Bons Lugares. Ciganos, Visibilidade e controvérsias espaciais”, uma obra da autoria de Alexandra Castro, que mereceu os elogios da Secretária de Estado: “É um livro inspirador que desmascara os “chavões” que ouvimos sobre as pessoas ciganas, e que vem promover um maior conhecimento sobre estas comunidades, combatendo assim a iliteracia existente sobre a cultura cigana, através da desconstrução das falsas ideias e preconceitos”.
Além da autora do livro, estiveram presentes nesta apresentação a Coordenadora do OBCIG, Maria José Casa-Nova, e o Presidente da Rede Europeia Anti- Pobreza, Sérgio Aires.

Dia Internacional das Pessoas Ciganas - OBCIG lança Newsletter comemorativa

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Dia Internacional das Pessoas Ciganas - OBCIG lança Newsletter comemorativa
Para celebrar o Dia Internacional das Pessoas Ciganas, assinalado dia 8 de abril, o Observatório das Comunidades Ciganas (OBCIG) lança uma Newsletter especial.

Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Bruno Pinto

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Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Entrevistas
Bruno Pinto, 19 anos, 1.º ano do Curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial, Instituto Politécnico de Lisboa
Entrevista realizada no dia 28 de março de 2018, em Lisboa
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Pode contar-nos brevemente o seu percurso escolar até entrar na Universidade?
Bruno Pinto (BP): O meu percurso escolar foi por acaso bastante calmo... fiz o regular do 1º ao 12º ano, calmo, com alguns pedregulhos por cima, mas sempre ultrapassei por cima, foi calmo por acaso. Nunca chumbei, nunca tive nenhum problema.
ObCig: Nesta nova experiência, de frequência do Ensino Superior, o que gostaria de realçar na sua relação com os colegas?
BP: A minha relação com os colegas na universidade é boa, confortável, com algumas divergências, o que é plenamente normal na faculdade, penso que existe um respeito por onde estou, por quem sou, pela minha cultura, e penso que é isso, penso que é estável.
Obcig: E com os professores?
BP: É boa. Os professores ajudam-me em tudo, dão-me apoio no que eu precisar e existe uma preocupação com os alunos, porque existe uma proximidade no meu curso. Há uma proximidade com os professores porque é em salas fechadas não é em auditórios. Existe uma preocupação, o professor está ali em cima do aluno a ajudá-lo e gosto da relação entre aluno e professor.  
ObCig: E em relação ao ambiente universitário?
BP: É uma boa pergunta. É um choque. Foi um choque para mim, porque para mim o secundário foi fácil, aquilo não era nada para mim, só que depois cheguei à universidade, aí é o choque. É isto que é a universidade, é isto que é a realidade. Foi complicado ao início para me habituar... É complicado. Eu sou o único da minha família que entrei para a faculdade. Já conhecia muitas pessoas que foram, mas na minha família fui o único. Foi uma experiência nova, complicado, mas estou preparado para enfrentá-lo até ao resto da vida. Acabar o meu curso e arranjar um emprego.
ObCig: E em relação ao conhecimento científico?
BP: As principais dificuldades que tenho com o conhecimento científico, penso que não tenho problemas com isso. Tenho uma boa capacidade de memória, uma boa capacidade de compreensão. Penso que o meu principal problema é mais a gestão de tempo... é mais nesse âmbito, porque de resto penso que não tenho nenhum problema com isso.
ObCig: Em que medida considera que o facto de estar a tirar um curso superior está a mudar a sua vida e a forma como perspetiva o mundo?
BP: Faz-me dar mais valor à vida (...) Chegando à universidade, cheguei a isto e vi que tenho de lutar por aquilo que quero, se não não vou longe. Acordei para a realidade, como se diz... Estava só a viver naquela rotina, rotina... Quando entrei para aqui e foi um choque, mesmo. Tive que acordar, tive que lutar, tive que chorar. Vejo o mundo já não a preto e branco; já vejo o mundo mais às cores. Dá para conhecer mais as culturas, conhecer mais as pessoas, como interagir com elas, mais nesse âmbito.
ObCig: Quais são as suas expectativas quanto ao futuro?
BP: As minhas expectativas são arranjar um conhecimento, tanto académico como profissional para permitir não só procurar conhecer o mundo em si, mas também ter um trabalho sustentável e fixo, para poder arranjar uma família e ser feliz.
ObCig: O que gostaria de dizer aos outros e às outras jovens ciganas para os ajudar na construção de um caminho escolar de sucesso?
BP: Para lutarem, para estudarem. Quero dizer aos jovens para lutarem pelo que eles pensam. Normalmente pensam que se forem para a Faculdade vão esquecer a cultura. Não é verdade. Existem dois mundos. Podes estar num mundo dos ciganos e no mundo dos não ciganos. É possível. Eu faço isso. Quando estou na Universidade estou nesse mundo diferente, quando vou para casa estou com os meus amigos ciganos e estou num outro mundo. Penso que é fácil estar nos dois mundos. É estudarem e esforçarem-se, penso que qualquer um consegue. Se eu consegui, qualquer um consegue, ninguém é diferente de mim.
ObCig: Que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
BP: O que eu tenho a dizer à sociedade, ninguém tem resposta até agora. Para aceitarem melhor as diferenças, para aceitá-lo o que outro é, e não separá-lo. Integrá-lo no sentido em que aceita as suas diferenças, não torná-lo igual à sociedade maioritária. Respeitá-lo pelo que é. Integrá-lo no sentido em que o respeita, vê-lo como uma pessoa igual a ele, mas com uma cultura diferente. Esse é o principal conselho que eu dou à sociedade. Penso que isso vai ser difícil de mudar, porque isto vai perdurar por muitos e muitos anos.

Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Tânia Oliveira

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Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Entrevistas
Tânia Oliveira, 1.º ano do Curso de Animação Socioeducativa, Escola Superior de Educação de Coimbra
Entrevista realizada no dia 23 de março de 2018, em Coimbra
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Pode contar-nos brevemente o seu percurso escolar até entrar na Universidade?
Tânia Oliveira (TO): Olá eu sou a Tânia, o meu percurso escolar foi até à 4ª classe, como todas as raparigas ciganas. Era o normal de ir até à 4ª classe, depois desisti por aí e fui para casa ajudar em casa. Mais tarde voltei a estudar, sempre tive um sonho, queria estudar e então mais tarde através da RVCC (Reconhecimento, validação e certificação de competências), fiz o sexto ano. Depois parei. Um tempo depois voltei a estudar novamente e através do RVCC fiz o 9º ano. Depois do 9º ano, então, entrei no ensino superior através dos maiores de 23. E através do projeto Opré Chavalé, que me deu oportunidade de realizar um sonho, que era ser mulher e cigana e estar na Universidade.
ObCig: Nesta nova experiência, de Frequência do Ensino Superior, o que gostaria de realçar na sua relação com os colegas?
TO: A minha relação com os meus colegas é muito boa. Tenho uma adaptação muito boa e isso também me facilitou na convivência com os meus colegas. Tenho tido o apoio deles em trabalhos de grupos e apontamentos. Por isso posso dizer que apesar de ser um meio novo, estou a adaptar-me muito bem e tenho o apoio dos meus colegas.
Obcig: E com os professores?
TO: A relação com os meus professores tem também sido excelente, porque quando tenho algumas dúvidas e algumas perguntas eles estão sempre lá para explicar. Isso é muito bom termos professores que se interessem pelos alunos e que dão atenção por isso está a correr muito bem.
ObCig: E em relação ao ambiente universitário?
TO: Eu acho que é um ambiente bom, apesar de eu estar a estudar em horário pós-laboral, não estou na Universidade durante o dia para ver o ambiente. Por isso nessa área não participo muito.
ObCig: E em relação ao conhecimento científico?
TO: A minha maior dificuldade foi por ter estado tanto tempo sem estudar, depois cheguei ao ensino superior e tive de acompanhar os outros jovens que estiveram no ensino regular, recorrente. Assim a minha maior dificuldade foi ter estado muito tempo sem estudar. Por isso agora quero recuperar.
ObCig: Em que medida considera que o facto de estar a tirar um curso superior está a mudar a sua vida e a forma como perspetiva o mundo?
TO: Sim, através deste Curso de Animação socioeducativa eu sei que vou ter muitas ferramentas que podem intervir, tanto informal como formal. Isto é uma área que sempre gostei, a mediação sociocultural, na qual trabalhei. Por isso é que me vai capacitar e dar-me muitas ferramentas para trabalhar nesta área.
ObCig: Quais são as suas expectativas quanto ao futuro?
TO: Neste momento quero terminar a licenciatura, depois quero tirar o mestrado, e quero trabalhar na minha associação para poder ajudar e capacitar outras mulheres ciganas nesta luta que é de todas nós, enquanto mulheres e ciganas. Existimos e resistimos e estamos numa luta e enquanto mulher e ativista, é uma luta que não é fácil. E estamos cá todas para nos ajudarmos umas às outras.
ObCig: O que gostaria de dizer aos outros e às outras jovens ciganas para os ajudar na construção de um caminho escolar de sucesso?
TO: Eu quero dizer aos outros jovens que nós também temos a oportunidade de estudar, que temos esses direitos, que podemos, e não vamos deixar que alguém nos diga, que nós ciganos não podemos chegar ao ensino superior, porque nós conseguimos. Se tivermos a força, a coragem, capacidade de lutar pelos nossos sonhos, ninguém nos pode impedir isso.
ObCig: Que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
TO: Que a sociedade não nos tente assimilar para deixarmos de ser ciganos. Eu costumo dizer uma frase que é muito minha que diz: “não tentes mudar o que sou, porque nem eu mesmo consigo”.
ObCig: Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
VL: Não, é só.