Presente para o Futuro: Combate ao insucesso escolar das crianças ciganas

02 May 2019

Presente para o Futuro: Combate ao insucesso escolar das crianças ciganas

Realizar-se-á no próximo dia 2 de maio de 2019 a sessão de lançamento do projeto CooLabora CRL “Presente para o Futuro: Combate ao insucesso escolar das crianças ciganas”. A sessão terá início às 17h15 na Escola EB2/3 de Tortosendo na Covilhã e contará com a intervenção de Maria José Casa-Nova, Coordenadora do Observatório das Comunidades Ciganas, sobre o tema “Conhecimento académico, (des)igualdades e diferenças na escola pública: reflexões de uma realidade (des)conhecida”.

 

Escola EB2/3 de Tortosendo na Covilhã
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Prémio ObCig Empresas Integradoras – 2019

08 Apr 2019
Prémio ObCig Empresas Integradoras – 2019
 
No passado dia 8 de abril de 2019, no âmbito das comemorações do Dia Internacional das Pessoas Ciganas, o Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig), atribuiu o “Prémio OBCIG Empresas integradoras” à dst group, representada pelo director dos recursos humanos, Dr. Alfredo Cardoso, por esta empresa desempenhar um importante papel na integração laboral de pessoas ciganas. Através da institucionalização deste prémio, o ObCig pretende inspirar outras entidades empregadoras no desenvolvimento e implementação de políticas e práticas empresariais integradoras das pessoas ciganas, sendo a empresa agora premiada um exemplo de integração, empregando presentemente 7 pessoas ciganas.
Fundação Caloust Gulbenkian
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Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC)

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Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC)

Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC) 

Em 2013, pela primeira vez, foi aprovada uma estratégia especificamente direcionada para as pessoas ciganas em Portugal: a Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC), criada através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 25/2013, de 27 de março.
Em 29 de novembro 2018, a RCM 154/2018 veio rever a referida ENICC e alargar a sua vigência até 2022, com o objetivo de ajustar os seus objetivos e metas e, consequentemente, potenciar o impacto na melhoria das condições de vida das pessoas e comunidades ciganas.
A ENICC surge, neste contexto, como uma plataforma para o desenvolvimento de uma intervenção alargada e articulada, onde os vários ministérios, municípios, organizações da sociedade civil, academia e comunidades ciganas, entre outras organizações, contribuem ativamente para a concretização dos objetivos traçados.
 
Aceda à ENICC em PT e em EN

Seminário "Nós e os Outros: Alteridades,Políticas Públicas e Direito"

05 Apr 2019

Seminário Nós e os Outros - Alteridade, Políticas Públicas e Direito

 

A Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP) e o seu Centro de Investigação Jurídico Económica (CIJE) organizam o Seminário "Nós e os Outros - Alteridade, Políticas Públicas e Direito".

O evento científico irá decorrer no dia 5 de abril de 2019 nas instalações da FDUP e contará com a presença de ilustres oradores convidados que irão abordar temáticas atuais, alicerçadas nas seguintes problemáticas:

- Alteridade: quem são os outros?

- Políticas Públicas: como incluir os outros?

- Direitos: Como Proteger os outros?.

Participação da Coordenadora Maria José Casa-Nova na sessão das 16h: “Direito(s): como proteger os Outros?”  

Este Seminário insere-se no Projeto CIJE/ FDUP Vulnerabilidade e Diversidade: Direitos Fundamentais no Contexto - Eixo: Minorias, Migrantes e Refugiados.

Entrada Livre

Inscrição obrigatória aqui

Ver Programa completo aqui.

Anf 1.28 FDUP, Porto
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Preparação para cursos de pós-graduação

- 08 Apr 2019
Programa de preparação de jovens ciganos/as para cursos de pós-graduação
Estão abertas as inscrições para curso de preparação para inscrição em Mestrado da Central European University (Universidade Central Europeia), em Budapeste, Hungria. Este curso destina-se a jovens ciganos/as que pretendam realizar mestrado no estrangeiro, constituindo-se numa oportunidade única de aprendizagem num ambiente internacional. O OBCIG apela vivamente aos/às jovens portugueses/as ciganos/as para que concorram ao mesmo.
 

Prazo de inscrição: dia 30 de abril de 2019

Para mais informações sobre os requisitos de admissão ver o website da Central European University - Romani Studieshttps://romanistudies.ceu.edu/

 

Budapeste, Hungria
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Nova Edição do Programa ROMED

31 Jan 2019

Programa ROMED

A nova Edição do Programa ROMED – Governação democrática e participação comunitária através da mediação vai ser lançada no dia 31 de janeiro, pelas 10 horas, no Palácio Foz, Sala de Jantar, em Lisboa. A iniciativa irá incluir a assinatura da carta de compromisso pela Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade e a Letras Nómadas – Associação de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas. Inscreva-se, até ao dia 28 de janeiro, através do formulário acessível aqui.

Encontre o programa completo abaixo.

 

Palácio Foz, Sala de Jantar, Lisboa

Intro Newsletter

A Newsletter do OBCIG pretende ser um meio de comunicação com a sociedade alargada, visando a divulgação e reflexão científicas e de desconstrução de estereótipos, a promoção do conhecimento de pessoas ciganas, estudantes ou a trabalhar nas mais variadas áreas de intervenção, de divulgação do trabalho desenvolvido e a desenvolver por associações ciganas, mediadores/as interculturais e outros atores e organizações da sociedade civil, bem como de informação sobre acontecimentos relevantes, nacionais e internacionais.
 

The newsletter intends to become a means of communication with the broad society, aimed at the disclosure, scientific reflection, and the deconstruction of stereotypes. It intends to increase awareness of the Roma population, by students or people working in the several areas of intervention and dissemination of work that has been or is being developed by Roma associations and other actors and civil associations. It also aims at providing information about relevant events, both national and international.

Newsletter dezembro de 2018

 

Newsletter julho de 2018

 


ObCig lança Newsletter a assinalar o Dia Internacional dos Direitos Humanos


Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte I), Olga Mariano

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Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte I), Entrevistas
OLGA MARIANO
Entrevista realizada em novembro de 2018, Lisboa
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Como surgiu a oportunidade de ser mediador/a intercultural?
Olga Mariano (OM): A oportunidade de ser mediadora intercultural surgiu há alguns anos atrás, tenho de recuar até ao ano de 1999, altura em que estive numa ação de formação com mais 5 colegas ciganas e 11 colegas africanas numa ação de formação intercultural, ou seja, mediadores culturais, na altura. E foi um ano realmente muito interessante de aprendizagem. Aprendizagem não só formativa, mas também aprendizagem de vida. Porque foi pela primeira vez que as mulheres ciganas se encontraram durante um ano com as mulheres africanas, cohabitaram e conviveram durante todo o ano e foi sem sombra de dúvida muito importante para mim essa aprendizagem humana, foi excelente. Inclusive também a própria ação de formação tinha vários temas muito importantes, muito interessantes para o nosso dia-a-dia de mediadoras ou mediadores, inclusive para nós que estávamos a ser formadas para trabalhar nas escolas, nos atl´s, também nos jardins-de-infância e sem dúvida todo o contexto formativo nos deu oportunidade de termos mais conhecimento, mais empoderamento do que era ser mediadora. Sem dúvida que foi um ano excelente de aprendizagem, de empoderamento e até de maturidade. 
ObCig: O que significa para si ser mediador/a intercultural?
OM: Ser mediadora não é só uma palavra, portanto é muito mais do que isso, ser mediadora é fazer a ponte entre a família e a escola. É ser uma extensão da própria família de forma a podermos interagir com uns e com outros. É termos a sensibilidade de tratamento com a escola e com as crianças e com a família. Isto é quase um elo de ligação e que não é fácil, porque nós temos o conhecimento de uma parte e de outra, mas também temos que ter muita responsabilidade para podermos opinar, para podermos apoiar, para podermos dar, portanto, a explicação… Ser mediadora intercultural é muito mais do que uma palavra, é muito mais do que uma forma, uma forma de abordagem de um tema que vai muito mais além do que ser mediadora sociocultural ou intercultural, portanto, é uma forma de estar, é uma forma de interagir, é uma forma de fazer de ponte, é um elo de ligação entre a família, a escola e a criança. Temos uma responsabilidade muito acrescida, e temos também de ter o conhecimento entre uma cultura e outra, a cultura maioritária e a cultura cigana para podermos trabalhar com consciência e com conhecimento e podermos levar a água ao nosso moinho, que é sem sombra de dúvida que é que as crianças ciganas tenham continuidade na sua vida e no seu percurso escolar. 
ObCig: Na sua perspectiva, qual é o papel do/a mediador/a na sociedade?
OM: Não é um papel muito fácil porque, como disse anteriormente, o papel do mediador na sociedade tem toda essa responsabilidade acrescida que eu falei anteriormente, mas também tem que ter mais vertentes. E a vertente da sensibilidade, a vertente de termos capacidade de conquista da criança, do próprio corpo diretivo das escolas, das auxiliares da acção educativa. Muitas das vezes pensam realmente “a cigana vem para aqui roubar o meu espaço ou vem tirar o meu trabalho ou vem fazer com que eu pareça insignificante”. E muitas das vezes as próprias professoras têm alguma dificuldade, portanto, em entender o que é o papel da mediação e para isso é muito importante, mas muito importante, que nas escolas tenham mediadores socioculturais ou interculturais, como queiramos chamar, que tenham formação sobre o papel do mediador nas escolas. Porque esse papel é muito importante para os dois lados, mas também é um papel, embora não estejamos fechados num quadrado, nós estamos, nós somos praticamente pessoas com vários conhecimentos e que podemos pô-los em prática, quer seja no recreio, quer seja numa sala de aulas, quer seja numa reunião. Mas também é importante que tenham conhecimento exactamente de qual é esse papel porque muitas das vezes eu sei que há mediadores escolares nas escolas e que estão a ter um papel completamente diferente do que é o seu papel. Estão a fazer mais tarefas de auxiliares de ação educativa, estão a fazer mais tarefas de pintura, de limpeza, porque os professores não sabem distinguir e não estão informados para esse papel que é um papel tão importante. 
ObCig: Como acha que as pessoas olham para o/a mediador/a?
OM: Esse olhar que as pessoas têm de o mediador muitas vezes é um olhar de desconfiança por várias situações, como também disse na resposta anterior, porque o “cigano pensa que vem nos ensinar alguma coisa”, “não nos vem ensinar algo”, porque a obrigação e nós sabemos que sim, como portugueses, é que os meninos e meninas andem nas escolas, mas também têm que ver que é um papel de motivador, porque têm que ver que é uma cultura diferente, nós somos iguais, nós somos portugueses, mas temos uma cultura diferente. E era muito importante que em vez de trabalharmos separadamente, trabalhássemos em conjunto e se nós conseguíssemos unir, portanto, todas estas forças, de certeza absoluta, que iríamos ter meninos e meninas portugueses ciganos muito mais bem formados e com muito mais vontade de seguir os seus estudos para além da primária ou do segundo ciclo, porque aquilo que nós gostaríamos era que ultrapassassem o 2º, chegassem ao 3º  e depois fossem inclusive para a universidade, para o ensino superior. Isso é que é a grande luta dos mediadores. Portanto, há que entender que o mediador está ali como uma ferramenta. Utilizem-na com toda a sua capacidade e com todo o conhecimento para que em conjunto e sempre em conjunto chegarmos mais além. 
ObCig: Lembra-se de alguma situação em particular que o/a tenha levado a reflectir mais sobre o papel de mediador/a? 
OM: Poderia falar de várias situações que me levam a reflectir sobre o papel da mediação e sobre às vezes o desconhecimento que existe desse papel, mas há uma situação muito caricata, isto até foi numa altura que eu estive em estágio numa escola, uma escola bem formada, num bairro social muito difícil, mas realmente com uma direção bastante interessada no papel da mediação, mas com alguns professores com um desconhecimento total do papel da mediação e com uma forma de tratar as crianças, porque são todas crianças independentemente de serem de uma ou de outra cultura e de tratar as crianças da forma como elas merecem e o respeito que elas merecem. E eu tinha um menino cigano nessa turma, é importante que eu diga que eu fui muito bem recebida nessa escola, mas há esta situação e eu acho importante partilhá-la convosco. E então acontece que um dos meninos ciganos numa turma tinha assim o cabelo mais comprido, também porque era filho de gente muito pobre e não se pode andar a cortar o cabelo sempre, não há dinheiro para… e então a professora zangou-se com ele e disse-lhe “tens que ir cortar o cabelo, pareces mesmo um cigano”, o menino foi para casa e disse “a professora está sempre… e os outros meninos também se riem, porque a professora está sempre a dizer que eu pareço um cigano com este cabelo grande”, a mãe fez um enorme sacrifício e mandou cortar o cabelo ao menino, mas para não andar a cortar sempre, cortou-lhe bastante curtinho, quando ele chegou no outro dia à escola, pensando que ía levar um elogio, a professora olhou para ele e disse “epá era preciso cortares o cabelo dessa maneira, vê-se mesmo que estavas cheio de piolhos”, portanto isto são situações que não podem de maneira nenhuma acontecer na escola, não podem de maneira nenhuma. Eu tenho situações durante todo este tempo, desde 99, que eu fiz trabalho de mediadora, e só numa escola tive 5 anos, na escola Padre Cruz na Pontinha, aí estive a trabalhar 5 anos nessa escola, tenho bastantes recordações muito interessantes nessa escola, mesmo muito importantes, mas sem sombra de dúvida que há um desconhecimento muito grande e uma falta de sensibilidade de muitos professores e quando digo muitos não estou a generalizar, porque nunca se deve generalizar, mas que há muitos professores que têm muita falha na sensibilidade para trabalhar com as crianças. Sem sombra de dúvida que essas situações com a mediação têm muito mais facilidade, portanto, de serem trabalhadas, porque se houvesse a mediação se calhar a professora e se ela própria tivesse um pouco mais de sensibilidade poderia eventualmente dizer à mediadora “veja se conseguem cortar o cabelo ao menino, se há essa possibilidade, se não nós encontramos outra forma de o fazer”. Portanto há várias formas de trabalhar com as crianças. Mas nem tudo é mau, há muita coisa boa. E há muitos professores cheios de sensibilidade e conhecimento. E crianças também maravilhosas. Nesses 5 anos que estive no Bairro Padre Cruz também contar uma passagem muito interessante, eu estava numa sala com crianças, e quando digo crianças eram mesmo crianças, não era com uma ou com outra comunidade, que não conseguiam estar durante o tempo letivo numa sala de aula e então íam para a minha sala fazer vários trabalhos, inclusive fazíamos ponto cruz, e então uma das crianças ciganas olhou para mim e disse “olhe lá, você é mesmo cigana”, “sou, então não vês que sou cigana”, “não pode ser”, “não pode ser porquê?”, “como é que pode ser cigana e ser professora?”, “sou, podes ter a certeza que sou”. E diz-me outra menina africana “ai não não, você não é cigana”, “mas não sou cigana porquê?”, “não não é, você é mas é freira”. Portanto, é interessante ver que aquelas crianças nem para uma nem para outra eu não podia ser cigana, porque é muito raro ver-se ciganas professoras. Na ótica deles eu estava ali não como cigana, mas sim como professora. Há imensas histórias lindas que poderia e estava aqui um dia inteiro a falar nelas.
ObCig: Se pudesse, o que mudaria no papel do/a mediador/a?
OM: Primeiro que tudo, primeiro que tudo teria que haver estatuto do mediador, isso é o mais importante. Enquanto nós não tivermos esse estatuto, nós somos vistos e pagos como auxiliares da ação educativa e não é esse o nosso papel, é completamente distinto. Depois teria que haver também uma bolsa de mediadores através do Ministério da Educação para quando houvesse necessidade de recorrer a esses mediadores as escolas que tivessem essa necessidade o pedissem nessa bolsa a mediação que lhe era necessária, entre outras coisas, claro.
ObCig: O que acha que é importante mudar na sociedade para que esta se transforme numa sociedade intercultural? 
OM: Isso é muito difícil essa pergunta, se nos olhassem como pessoas e não como etnia de certeza que tínhamos uma sociedade muito melhor, se nos olhassem como um ser individual que podemos pensar por nós com um nome próprio, com um BI, e não como uma cultura ou como uma etnia era uma facilitação de estarmos muito mais bem, haver um cruzamento entre várias culturas existentes em Portugal. E aqui o grande prejuízo para as minorias é que a sociedade maioritária, não nos veem como seres individuais, veem-nos como pertença de uma cultura ou de uma etnia e depois metem-nos todos no mesmo saco. Isso para mim é das piores coisas que existem. Depois também há outras situações que realmente fazem toda a diferença, era morarmos na malha urbana em conjunto com os não ciganos, terminar-se com estes bairros sociais que só formam pessoas com grandes dificuldades de inserção na sociedade maioritária, que são guetos que depois para além das várias culturas lá existentes ainda existe a cultura de bairro que depois é muito difícil de transpor. Que nos olhem como pessoas, como seres humanos e que nos respeitem a nível de ser humano, mas também a nível cultural, porque nós temos uma cultura muito própria, da qual nos orgulhamos e como a alentejana, como a algarvia, é uma cultura que deve ser respeitada. E eu posso terminar por dizer que eu posso ser tudo o que eu quero ser sem nunca deixar ser quem sou.
ObCig: Tendo em atenção a sua história de vida e experiência de mediação, que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
OM: Partilhem, é muito importante partilhar, porque todos nós temos histórias boas e menos boas, mas se partilharmos com o outro as boas ficam ainda melhores e as menos boas até podem ficar boas, porque duas cabeças pensam melhor do que uma. 
ObCig: Quer acrescentar mais alguma coisa a esta entrevista?
OM: Eu acho que já falei de mais, mas de qualquer das maneiras eu acho que é importante darmos as mãos, não nos voltarmos as costas. É importante que este papel da mediação seja validado enquanto realmente um papel importante na sociedade e que é uma profissão muito digna. E é uma profissão sem sombra de dúvida que tem muito a ser explorada e que nos pode dar grandes vitórias. E essas vitórias são muito importante para nós, ciganos, porque aqui, enquanto e falando aqui não só enquanto mulher cigana, que todos nós sabemos a cultura seja de que povo for, recai sempre sobre os ombros das mulheres, então era importante que todos nós conseguíssemos que através da mediação dessemos oportunidade às nossas meninas ciganas terem continuidade nos seus estudos. E só validando este papel, só fazendo o estatuto do mediador, porque o mediador faz falta. O mediador é muito importante na escola, nas prisões, nos hospitais, nos centros de formação, nos centros de saúde, o papel é tão importante como os outros papéis existentes das várias funções de todos estes serviços, sem sombra de dúvida iria melhorar muito a relação entre uns e outros.

Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte I), Bruno Oliveira

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Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte I), Entrevistas
BRUNO OLIVEIRA
Entrevista realizada em novembro de 2018, Lisboa
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Como surgiu a oportunidade de ser mediador/a intercultural?
Bruno Oliveira (BO): A oportunidade de ser mediador intercultural surgiu-me através de um curso que fiz na Pastoral dos Ciganos em Lisboa, teve a duração de dois anos. 
ObCig: O que significa para si ser mediador/a intercultural?
BO: Ser mediador intercultural para mim significa ser uma mais-valia tanto para a sociedade maioritária como para a comunidade cigana, nomeadamente para a comunidade cigana de Lisboa. 
ObCig: Na sua perspectiva, qual é o papel do/a mediador/a na sociedade? 
BO: O papel do mediador na sociedade é um elo de ligação, promotor da interculturalidade e promotor de igualdade e justiça social. 
ObCig: Como acha que as pessoas olham para o/a mediador/a?
BO: Eu acho que as pessoas olham para o mediador, quando o conhecem, quando conhecem realmente o papel do mediador, olham como uma mais-valia, como uma pessoa de confiança. Quem não conhece, eu acho que estamos um bocadinho subvalorizados.
ObCig: Lembra-se de alguma situação em particular que o/a tenha levado a reflectir mais sobre o papel de mediador/a?
BO: Houve várias situações que me levaram a pensar mais sobre o papel de mediador intercultural, especificamente quando faleceu uma criança e o pai agarrou-se a mim a chorar e eu senti que era necessário ter mais formação sobre a interculturalidade e a mediação para dar mais alguma coisa à comunidade cigana. 
ObCig: Se pudesse, o que mudaria no papel do/a mediador/a?
BO: Se eu pudesse mudar alguma coisa no papel do mediador era a carreira, porque nós não temos uma carreira de mediador, acho que faz muita falta haver uma carreira de mediador e também uma maior valorização por parte das instituições. 
ObCig: O que acha que é importante mudar na sociedade para que esta se transforme numa sociedade intercultural? 
BO: O que se tem de mudar nesta sociedade para que esta sociedade se transforme numa sociedade intercultural, primeiro tem que haver uma aposta nos mediadores interculturais para haver uma sensibilização para o diálogo intercultural, só assim é que conseguimos construir um caminho para uma sociedade intercultural. 
ObCig: Tendo em atenção a sua história de vida e experiência de mediação, que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
BO: Enquanto mediador, enquanto pessoa a mensagem que eu quero transmitir é uma frase que o Martin Luther King uma vez disse que foi: o que o assustava não era o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.
ObCig: Quer acrescentar mais alguma coisa a esta entrevista?
BO: Quero deixar um abraço fraternal a todos os ciganos e ciganas de Portugal.

Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte II), Sónia Matos

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Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte II), Entrevistas
SÓNIA MATOS
Entrevista realizada em novembro de 2018, Seixal
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Como surgiu a oportunidade de ser mediador/a intercultural?
Sónia Matos (SM): Através do RSI, tentei conseguir arranjar oportunidade para tentar ser alguém, portanto, naquela altura eu tinha 22 anos e eu sabia que queria ser mais do que doméstica, dona de casa. Só isso não chegava, eu queria ter uma profissão, queria ser alguém e portanto, vi nisto uma oportunidade. E a minha assistente social informou-me do início de um curso e fui a uma entrevista, da qual fiquei seleccionada. No decorrer desse curso, nós desenvolvemos o curso em parceria com 12 mulheres africanas e depois a meio do curso fomos divididas, porque elas seguiram o curso de geriatria e cuidados e nós seguimos o curso para mediadoras. Isto foi tudo uma experiência. Eles tiveram até meio do curso a analisar se nós tínhamos capacidades para ser mediadoras e conseguimos as cinco provar que sim e claro que nessa altura tivemos a sorte de ter na coordenação do projeto a Dra Fernanda Pedro, que era uma pessoa muito ativa, muito católica também, e que nos levou logo a seminários, a encontros, fomos para Roma com ela, portanto, foi quem nos deu empoderamento, digamos, e conhecimento do mundo e da sociedade em que vivemos. E depois um formador do curso identificou logo no curso que nós tínhamos todas as capacidades para formar uma associação. Uma associação de mulheres ciganas, nós não sabíamos muito bem o que isso era, nem para que servia e fomos assim um pouco atiradas assim ali para o meio da tourada, porque foi assim que nos sentimos no início, porque era tudo muito novo, não havia mulheres ciganas a trabalhar e depois uma mulher viúva e cinco solteiras… é complicado. Portanto foi um percurso engraçado, mas conseguimos, chegámos aqui.  
 
ObCig: O que significa para si ser mediador/a intercultural?
SM: Uma mediadora é um caminho, é um percurso. E é uma aprendizagem todos os dias, e ao longo deste meu percurso fui desenvolvendo várias áreas em meu redor. Ser mediadora cultural é uma pessoa que tem de ser imparcial, que tem de conseguir ouvir um lado e ouvir o outro e tentar fazer a conciliação entre dois pensamentos e que depois esses pensamentos entrem num conjunto e possam partilhar as ideias e chegar a um consenso. Não é um percurso fácil, é muito difícil porque quem fica no meio, tem o trabalho mais complicado, mas é um trabalho que se consegue quando se acredita nele.
 
ObCig: Na sua perspectiva, qual é o papel do/a mediador/a na sociedade? 
SM: A mediadora é alguém que pode trabalhar em várias vertentes, pode trabalhar na área da educação que é essencial e aí já está provado, está mais que provado que um mediador nas escolas é essencial para o sucesso da escolaridade nos meninos de etnia cigana. Além das escolas vejo uma mediadora nos centros comunitários, nos serviços sociais, nos hospitais. Portanto, a mediação seria algo muito importante que os serviços deveriam ver como atendimento para a comunidade cigana. Porque o que eu sinto é que há uma dificuldade muito grande de comunicação entre as duas culturas. 
 
ObCig: Como acha que as pessoas olham para o/a mediador/a?
SM: Um mediador, quando eu digo que sou mediadora, as pessoas perguntam-me o que é isso. “É mediador imobiliário?” Tanto é que é uma profissão um bocadinho… que ninguém identifica. Está muito mais identificada como animadora cultural. E está muito ligado a essa vertente. Um animador tem muito aquele lado da vertência de um mediador, mas depois o mediador da comunidade cigana tem uma especificidade que é a cultura cigana. E aí acho que é essencial para trabalhar com a comunidade cigana.
 
ObCig: Lembra-se de alguma situação em particular que o/a tenha levado a reflectir mais sobre o papel de mediador/a?
SM: Ao longo de 18 anos já dá para fazer uma reflexão no meu local de trabalho onde sou efetiva, neste momento pedi dois anos de licença sem vencimento porque decidi agarrar a minha associação e trabalhar nos projetos em que eu acredito. Mas como disse, há 18 anos que trabalho e estou contratada como auxiliar da ação educativa. Além de fazer esse trabalho, sou professora de dança flamenca que foi outra vertente que desenvolvi ao longo dos anos, a dar aulas de dança sem ser para a comunidade cigana, tudo mulheres adultas, e mais tarde também, formadora. Nestas quatro vertentes e nestes quatro papéis que são muitos distintos uns dos outros a mediação é aquela que mais me toca, aquela que mais me chama, embora seja aquela que seja a mais difícil. Mas é aquela que me dá mais prazer fazer. Mas consigo perceber aquilo que me quer dizer, se houve momentos em que me deu vontade de desistir, sim, deu-me vontade de fazer outras coisas sem ser a mediação, porque a mediação é para alguém que tem muita coragem e que gosta muito e que acredita muito naquilo que faz. Eu posso contar uma situação que se passou comigo, estava a trabalhar há cerca de um ano e no meu primeiro trabalho realizava animação nas escolas, uma parceria com o ICE – Instituto das Comunidades Educativas -, isto em 2000, que era parceiro aqui do “Centro Comunitário várias culturas uma só vida” onde eu trabalho e nós desenvolvíamos animação nas escolas. Nos primeiros tempos eu ía animar os recreios e numa das vezes em que eu tive de ir beber água lá dentro, eu ouvi as auxiliares a comentarem que com esta animadora a vir lá para os recreios os miúdos da comunidade cigana deixaram de faltar e elas tinham que levar com elas todas. Houve alturas em que foi complicado para mim aceitar e ver o quanto a comunidade cigana é discriminada e continua a ser discriminada. Mas é um trabalho que me dá prazer fazer. E hoje consigo ver a diferença, consigo apreciar o quanto houve de mudança de mentalidade das pessoas, da sociedade maioritária, da comunidade cigana a nível da educação, a nível escolar, a nível de comportamentos, e isso são comportamentos. Uma sociedade leva muitos anos para mudar, esses comportamentos já estão enraizados dentro de nós. E portanto é muito difícil. Hoje posso falar por experiência que vivemos na mesma sociedade, temos os mesmos costumes, mas a comunidade cigana está 20 anos, relativamente aos costumes, em atraso ao resto da sociedade maioritária. Porque os nossos costumes são os portugueses, a gente não tem outra cultura, é este o país onde nascemos, portanto, temos é as raízes mais aprofundadas, dentro de nós ainda temos e conseguimos preservar isso, devido ao facto, claro, de continuarmos casamentos comuns e assim se mantem uma cultura com mais de 500 anos. 
 
ObCig: Se pudesse, o que mudaria no papel do/a mediador/a?
SM: Reconhecimento da parte do governo, reconhecimento por parte das instituições, reconhecimento por parte do Ministério da Educação, principalmente é aí a grande vertente, e a grande batalha e se possível que o mediador tivesse mais apoio porque é uma profissão muito desgastante e que necessitávamos de mais apoio por parte… não sei… das instituições, do governo. Deveríamos ter apoio a nível de formação para podermos ganhar força. Encontros entre os mediadores, reflexão sobre o trabalho que se tem vindo a fazer com a mediação em Portugal. Acho que o reconhecimento, acho que era isso aquilo que eu mudaria no mediador.
 
ObCig: O que acha que é importante mudar na sociedade para que esta se transforme numa sociedade intercultural? 
SM: Em primeiro lugar que não olhássemos para o outro como se tivéssemos de integrá-lo em algo, mas sim incluí-lo e respeitá-lo na sua diferença e quando digo isto, digo para a comunidade cigana, digo para a mulher, digo para as minorias, digo para aqueles que são diferentes, portanto quando nós conseguirmos olhar para o outro enquanto pessoa, nós conseguimos incluí-lo na sociedade. Eu acho que é errado que aquilo que se tem vindo a fazer, trabalhar a integração da comunidade cigana, mas a comunidade cigana não quer ser integrada, quer ser respeitada, que é isso que faz falta, é respeitarmo-nos uns aos outros, e no dia que conseguirmos fazer isso, vamos ter uma sociedade mais justa, sem sombra de dúvidas para toda a gente.   
 
ObCig: Tendo em atenção a sua história de vida e experiência de mediação, que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
SM: Sim é possível, é possível vivermos todos na mesma sociedade, respeitarmo-nos uns aos outros e sim é possível convivermos todos juntos sem nos magoarmos uns aos outros. E respeitando-nos na nossa diferença. Posso falar por experiência própria, já sou casada com um não cigano e uma das coisas que ultimamente me deixou muito afetada e muito magoada, foi o fato de ver várias pessoas publicar no facebook, onde pedem na inscrição da criança para definir a sua etnia, e diz lá descendência cigana, descendência africana, e eu não sei como posso definir os meus filhos, o termo não está lá. Como é que eu defino os meus filhos? São metade metade, são meio termo? Vamos lá meter meio termo? Isso é uma das coisas que eu gostava que ficasse aqui vincada, que é que contínua a magoar-me ao longo de dezoito anos de trabalho, de reflexão, de trabalho de formação principalmente a técnicos e continuar sempre a ser convidada para seminários onde se fala da imigração, dos imigrantes. E eu não tenho outra bandeira, não reconheço outro hino e recuso que me retirem a minha identidade.

Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte II), Alzinda Carmelo

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Vozes Ciganas na Mediação Intercultural (Parte II), Entrevistas
ALZINDA CARMELO
Entrevista realizada em novembro de 2018, Seixal
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Como surgiu a oportunidade de ser mediador/a intercultural?
Alzinda Carmelo (AC): Ser mediadora intercultural surgiu há 19 anos atrás. Os meus pais beneficiavam do RSI e eu fui chamada para uma entrevista com a assistente social e ela perguntou-me, teve o cuidado de me perguntar o que é que eu gostava de fazer. E eu respondi-lhe porque, eu não tinha sonhos, tinha saído da escola novinha, o meu percurso foi sair da escola com a 4ªclasse e não tinha sonhos para trabalhar, porque não era essa a minha realidade, mas eu disse-lhe que gostava de tirar um curso para aprender mais, nunca pensando na mediação, porque eu não sabia tão pouco o que era ser mediadora, mas queria aprender mais, queria dar um salto porque eu sempre adorei a escola e, como saí muito novinha da escola, tinha desejos em continuar os meus estudos, então fui a uma entrevista de um curso. Fiz um teste e fui seleccionada.
ObCig: O que significa para si ser mediador/a intercultural?
AC: Eu vou ser muito sincera, eu quando comecei a fazer o curso de mediadora sociocultural, eu própria não sabia o que era ser mediadora. Porque ao fazer o curso, terminei o curso, fiz um estágio. A mediação é terreno, a mediação faz-se todos os dias. Para mim, eu faço a minha mediação de uma forma que, eu não gosto de gabinete, eu gosto de terreno, eu gosto de sair aos bairros, eu gosto de falar com as pessoas, eu gosto de interagir com as pessoas porque acho que só assim é que se consegue criar ligação. E o facto de ser cigana, porque logo aí há uma grande abertura com a comunidade cigana, principalmente com as mulheres pelo facto de eu ser cigana. Mas o ser mediador… Qual é o passo para ser boa mediadora? Os passos para se ser mediadora para mim, a minha forma de ver a mediação é interagir, ir aos bairros, como eu vos disse, é o terreno, é mostrar às pessoas que há ali uma pessoa que pode facilitar, facilitar os dois lados, porque a mediação é a ponte entre a comunidade maioritária e a comunidade cigana, porque nós vivemos no mesmo país, mas acho que vivemos de costas voltadas, queiramos ou não, vivemos. A comunidade cigana porque é ainda uma comunidade muito fechada, porque temos a nossa cultura e a comunidade maioritária porque não nos consegue aceitar tal como somos, é evidente que a comunidade cigana tem que ter algumas alterações, comportamentos e principalmente na educação, tem de deixar os filhos estudar, porque sem educação não conseguimos, mas eu acho que é aqui que entra a mediação, nestas costas voltadas, nestas diferenças, que existe a mediação, é onde a mediação entra… Eu muitas vezes quando dou formação e falo do que é ser mediadora e qual é o meu papel nestes projetos é isto, é facilitar a comunicação, o diálogo intercultural é fundamental. E eu tenho isso presente diariamente no meu trabalho, porque a formadora tem uma linguagem super acessível, mas eu vejo as miúdas a perderem-se, e ela está a falar português, estamos a falar a mesma língua, mas perdem-se. E eu digo, mas o que é que se está a passar? Porque é que vocês estão… “ eu não estou a perceber o que é que ela está a dizer”. E eu aí falo exatamente como estou a falar, língua portuguesa, porque nós não temos outra língua, temos a nossa língua, mas também acabou-se por perder e não a falamos, mas a forma como nós expressamos, a forma como nós falamos. Portanto, a comunidade maioritária… a comunidade cigana diz que a comunidade maioritária tem um sotaque e a comunidade cigana também tem um sotaque, então tem que haver aqui um equilíbrio para que neste sotaque não falte a comunicação, porque eu acho que é um ponto fundamental na mediação intercultural. E eu tenho feito muito muito muita mediação intercultural.
ObCig: Na sua perspectiva, qual é o papel do/a mediador/a na sociedade? 
AC: Na minha perspetiva o papel da mediadora na sociedade é uma ferramenta facilitadora para a integração das comunidades ciganas… Eu acho que todos os projetos que têm mediadores a trabalhar com comunidades ciganas estão a ter uns bons resultados, os resultados são completamente diferentes, então há que apostar nessas mediações porque faz toda a diferença. Porque a experiência que eu tenho e os mediadores que eu conheço, há muitos mediadores desempregados. Não é facilitador, facilitador é uma coisa, mediador é outra. “Mas agora facilitador e mediador já faz o mesmo”, mas não, porque eu para ser mediadora tive de ter uma formação, eu tive um estágio e eu tenho experiência de 18 anos. Eu há 18 anos não conseguia fazer a mediação que consigo fazer hoje, porque a minha idade também era outra, a minha experiência também era outra e eu hoje sinto-me com capacidade para fazer mediação em qualquer sítio porque acho que tenho vindo a aprender, porque a vida é uma aprendizagem e o fato da mediação é o mesmo, vamos aprendendo consoante os anos. Mas para mim eu acho que a mediação é uma ferramenta que as pessoas podem utilizar para minimizar os problemas que têm com a comunidade cigana.
ObCig: Como acha que as pessoas olham para o/a mediador/a?
AC: Eu vou-me focar um bocadinho nas duas comunidades. A comunidade cigana hoje em dia foca-se para o mediador de uma forma diferente porque há muita comunidade cigana que não sabe o que é um mediador, para que serve o mediador, o que é que está a trabalhar o mediador, quais são as funções do mediador, mas ultimamente e é esse o trabalho que a minha associação, a AMUCIP, tem vindo a desenvolver, temos falado muito sobre o que é o mediador, o que é o facilitador, as pessoas já estão a ter uma perspetiva diferente do que é a mediação. A comunidade maioritária acho que ainda não conseguiu ver o que é o mediador porque não temos carreira, não estamos a receber o valor justo para um mediador. Porque o mediador é um apaga fogos, o trabalho da mediação é um trabalho ingrato. O fato de entrar num bairro… eu sou cigana, mas nem todos os ciganos me conhecem, nem todos os ciganos têm a mesma forma de ver as coisas, portanto quando eu vou fazer este tipo de trabalho é evidente que eu também vou com o coração nas mãos, porque eu não sei como é que eu vou ser recebida. Portanto, acho que é um trabalho que deveria ter mais mérito que àquele que ele tem, e ser mais bem remunerado porque não o é.
ObCig: Lembra-se de alguma situação em particular que o/a tenha levado a reflectir mais sobre o papel de mediador/a?
AC: Eu como disse há pouco, eu todos os dias reflito um bocadinho sobre o papel da mediação, porque é a minha constante, mas muitas vezes é evidente que eu tenho tido… faço mediação em vários sítios, em vários bairros, escolas, centro qualifica, neste próprio espaço, estou-me a focar neste cinco anos de trabalho que tenho vindo a desenvolver que por vezes não é fácil, mesmo eu sendo cigana a trabalhar com a comunidade cigana, tenho-me visto em situações que são muito difíceis para mim, muito difíceis, muitas vezes saio dos bairros a chorar e a pensar como é que eu posso chegar àquela família sem chocar… portanto eu faço a mediação todos os dias de maneira diferente, eu sei qual é o meu foco, eu sei qual é a minha perspetiva, eu sei o que é que quero atingir, mas eu faço a minha mediação de uma forma consoante aquilo que me aparece. Como eu digo, nem todas as pessoas são iguais, nem todas as famílias são iguais, portanto se eu for a um hospital e eu fizer mediação eu aí tenho de ter uma postura, se for a um bairro social terei de ter outra, se estiver neste espaço terei de ter outra. Portanto, um mediador, do meu ponto de vista, é um camaleão.
ObCig: Se pudesse, o que mudaria no papel do/a mediador/a?
AC: Eu não mudaria nada no papel de mediadora, agora depende de cada mediador. Eu na minha mediação não mudava nada, porque da forma como eu faço a mediação, não sou a melhor, não é isso que eu quero dizer, mas aquilo que eu aprendi na minha formação eu pus em prática e depois fui-me aperfeiçoando cada vez mais, cada vez mais, cada projecto vou-me aperfeiçoando, primeiro empoderar. Num projeto em que eu trabalhei tinha de arranjar 12 jovens mulheres ciganas, dos 18 aos 30, para participar num projeto no qual elas não íam beneficiar de nada, quando digo beneficiar digo algo remunerado, não, o que é que eu tinha para oferecer a estas jovens? Formações, saídas e auto-estima. E era difícil. E eu quando comecei a fazer esta mediação, se eu tinha as coisas marcadas para começar às 9h eu saía da minha casa às 6h30 da manhã, porquê? Porque eu ía fazer a deslocação destas mulheres, porquê? Porque era o princípio, eu tinha que as ganhar, ganhar quem?  Os maridos e as famílias. Muitas vezes eu subia as escadas e ía ajudá-las a vestir os miúdos, muitas vezes eu ajudava-as a preparar o pequeno almoço para dar aos miúdos porque havia essa necessidade, porque a mulher cigana é mãe, é dona de casa, e para se envolver neste tipo de coisas tem que haver ali um apoio e eu hoje noto uma diferença grande, eu já não vou buscar ninguém, eu hoje já não ajudo a vestir ninguém. Os próprios homens começaram a participar. Mas há cinco anos atrás não. Tinha de ser a mediadora, portanto em vez de fazer 8 horas eu fazia 10, 11, 12, 14 e não era paga para isso. Portanto a mediação é algo que está entranhado em mim. É aquilo que eu gosto, é aquilo que eu sei fazer porque nunca trabalhei noutra coisa, sempre trabalhei como mediadora, para além de ter tirado formações que me dá acesso a outros tipos de trabalho, mas realmente a mediação é algo que… eu nasci para ser mediadora.
ObCig: O que acha que é importante mudar na sociedade para que esta se transforme numa sociedade intercultural? 
AC: Como eu disse, não é só a comunidade maioritária, a comunidade cigana tem que… nós ao sermos um povo tão fechado, temos também de contribuir para isso. Mas quando nos começarem a ver não num todo, mas individual, cada pessoa é um mundo e não somos todos iguais. Quando a comunidade maioritária começar a ver a comunidade cigana como individual e não nos porem todos no mesmo saco, quando valorizarem a mediação, da forma que ela merece ser valorizada, quando os mediadores tiverem uma carreira, tiverem um ordenado adequado, acho que aí a comunidade maioritária e a sociedade maioritária, poderemos dizer que está a ter um papel justo, porque neste momento eu não acho que é justo, acho que é injusto.
ObCig: Tendo em atenção a sua história de vida e experiência de mediação, que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
AC: A mensagem que eu gostaria é que nos conheçam antes de nos odiarem, que não somos todos iguais, cada pessoa é um mundo, que estamos numa altura em que a comunidade cigana quer dar o passo, porquê? Nós sempre sobrevivemos por nós próprios. A comunidade cigana nunca precisou de trabalhar por conta de outrem, sempre trabalhámos, sempre trabalhámos, sempre nos sustentámos por conta própria, portanto, logo esse fator faz com que nós tenhamos algumas dificuldades nos horários, em agendar coisas para amanhã, eu falo por mim, porque eu já passei por isso. Pensarmos no amanhã, nós vivemos muito hoje, hoje tenho, hoje estou cá, amanhã só deus sabe. Esta é a filosofia da comunidade cigana. Mas quando a comunidade maioritária começar a ver o que cada individuo, é individuo, não como comunidade. Acho que estamos na altura em que a comunidade cigana precisa de trabalhar, porque neste momento não há como sustentar, estão agarrados a uma prestação protocolada que não lhe dá hipóteses nenhumas, só existe aquilo, não existe mais nada, não existe muito mais do que aquilo, quando há verdade, quando há disponibilidade de mostrar às pessoas que independentemente do seu percurso e da sua escolaridade, toda a gente, todos nós temos sonhos e há que apostar nos sonhos das pessoas.
ObCig: Quer acrescentar mais alguma coisa a esta entrevista?
AC: Espero que com estes vídeos consigamos sensibilizar as pessoas, as entidades, o nosso governo, que os mediadores são fundamentais para aquilo que se pretende fazer com a comunidade cigana. Que olhem para este vídeo e que pensem que às vezes uma pequena alteração faz toda a diferença e que olhem para este vídeo com algum carinho e que apoiem mais os mediadores, que dêm trabalho aos mediadores nas escolas, nos hospitais, nos centros de saúde, nas seguranças sociais, há tantos problemas, e o mediador pode minimizá-los, não acabar com eles, mas minimiza-os. Acho que não tenho mais nada para dizer.

Seminário Internacional "Empoderando a População Cigana através da Produção de Conhecimento: o papel dos investigadores, académicos e sociedade civil"

06 Dec 2018 - 07 Dec 2018
Seminário Internacional "Empoderando a População Cigana através da Produção de Conhecimento: o papel dos investigadores, académicos e sociedade civil"
Temos a honra de convidar V. Exa. à participação no Seminário Internacional "Empoderando a população cigana através da produção de conhecimento: o papel dos investigadores, académicos e sociedade civil", nos dias 6 e 7 de Dezembro de 2018, na Universidade do Minho, cujo programa se apresenta de seguida.
Entrada livre. Inscrições aceites por ordem de chegada e em função do número de lugares disponíveis
Inscrições para o email: obcig@acm.gov.pt
 
 
 
 

 

Braga, Instituto de Educação da Universidade do Minho Auditório Multimédia
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IV SLBEI - Seminário Luso-Brasileiro de Educação de Infância | I CLABIE - Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Infância e Educação

15 Nov 2018 - 17 Oct 2018

IV SLBEI / I CLABIE 

O IV SLBEI - Seminário Luso-Brasileiro de Educação de Infância e I CLABIE - Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Infâncias e Educação terá lugar em Aveiro - Portugal (em novembro 2018) sob o tema "Educação, culturas e cidadania das crianças".

Numa perspetiva de internacionalização da formação e da pesquisa, o evento congrega investigadores/as, educadores/as, professores/as, formadores/as, estudantes e demais interessados/as nas pesquisas, nos debates e nas propostas relacionados com a Educação de Infância.

Participação de Maria José Casa-Nova na mesa redonda “Migrações, Itinerâncias e Inclusão/Exclusão” dia 16 de novembro às 16h30. Ver programa completo no programa anexado abaixo. 

Para mais informações ver aqui

Aveiro
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Colóquio Internacional «Mil Anos de Nomadização. Passado, património e problemas dos Ciganos»

24 Nov 2018
Colóquio Internacional «Mil Anos de Nomadização. Passado, património e problemas dos Ciganos»

Vocacionado para os estudos indianos, decidiu o Instituto Correia de Lacerda de Estudos Orientais aproveitar a passagem do milenário da sua deportação da Índia para, em colaboração com o Centro de Estudos de Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, organizar um pequeno colóquio em que se ventilasse a sua história, se divulgasse o seu património cultural e se chamasse a atenção para os seus problemas.

Participação de Maria José Casa-Nova na sessão das 15h. Ver mais informações no cartaz anexado abaixo. 

Para mais informações ver aqui

Universidade Católica Portuguesa, Lisboa
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Sobre o ObCig/About ObCig

O Governo de Portugal, consciente da necessidade de promover a integração das comunidades ciganas, aprovou, em 2013, a Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas (ENICC), Resolução do Conselho de Ministros n.º 25/2013 de 27 de Março.

A Estratégia surge, neste contexto, como uma plataforma para o desenvolvimento de uma intervenção alargada e articulada, onde os vários ministérios, municípios, organizações da sociedade civil, academia e comunidades ciganas, entre outros, contribuem ativamente para a concretização dos objetivos traçados.

Face à escassez de estudos e informação relativas às comunidades ciganas, por forma a definir um diagnóstico robusto, a avaliar as dinâmicas e os resultados decorrentes da Estratégia, mas também a produzir um conhecimento aprofundado da temática, a ENICC prevê, no seu Eixo Transversal, Prioridade 2, a criação do “Observatório das Comunidades Ciganas” para promover a realização e edição de estudos sobre as comunidades ciganas.

Assim, o Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig), contribui não só para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia, mas também para a conceção, implementação e avaliação das políticas públicas neste domínio, apresentando-se como um motor de criação de redes de cooperação académicas, científicas e institucionais, bem como do diálogo entre a academia e os decisores políticos.

 
 

a) Auxiliar na conceção de políticas públicas para a população portuguesa cigana ou residente em Portugal.

 

b) Promover e realizar investigação em áreas estratégicas visando o conhecimento e a integração da população cigana numa perspetiva de igualdade.

 

c) Contribuir para a desconstrução de estereótipos, principalmente através da participação em conferências, seminários, workshops e ações de formação.

 

d) Promover um diálogo construtivo entre a academia e os decisores políticos com vista a potenciar a igualdade de oportunidades e os Direitos Humanos tendo como cerne a população cigana.

 

e) Dar continuidade à Coleção Olhares, publicando, em edição impressa, investigação científica já realizada (resultados de projetos de investigação, dissertações de mestrado ou teses de doutoramento), com particular interesse para o conhecimento das comunidades ciganas e a decisão política sustentada.

 

f) Sem prejuízo da criação de outras coleções, criar a Coleção Estudos OBCIG, em edição impressa, com o objetivo de promover a produção de investigação científica temática nas áreas da Estratégia ou afins.

 

g) Disponibilizar, nomeadamente no sítio do OBCIG, investigação realizada e não publicada, como dissertações de mestrado e teses de doutoramento.

 

h) Promover a edição de brochuras que contribuam para a desconstrução, cientificamente sustentada, de estereótipos.

 

i) Promover conferências nacionais e internacionais, nomeadamente nos vários eixos da Estratégia Nacional para a integração das comunidades ciganas (ENICC).

 

j) Estabelecer uma rede de parcerias com Centros de Investigação nacionais e internacionais.

 

k) Participar em projetos de investigação internacionais que visem aprofundar conhecimento existente ou produzir novo conhecimento sobre a população cigana numa perspetiva comparada.

 

l) Participar em redes académicas de promoção e divulgação científicas e de políticas sociais.

 

m) Criar uma rede internacional de parcerias com organizações não governamentais que trabalhem com população cigana e, globalmente, com problemáticas relativas a Direitos Humanos.

 

n) Criar uma Newsletter de caráter científico e informativo.

 

o) Participar em congressos, conferências e seminários nacionais e internacionais, divulgando a atividade científica do OBCIG e as políticas públicas para a integração da população cigana.

 

p) Participar em reuniões internacionais de relevância face aos objetivos do OBCIG e, globalmente, do ACM.

 

 

About the ObCig

The Government of Portugal, aware of the need to promote the integration of Roma Communities, aproved in 2013 the National Strategy for the Integration of Roma Communities (ENICC in Portuguese), Cabinet Resolution nº25/2013, March 27.

The Strategy is, in this context, a platform for the development of a broad and articulate intervention, where the several ministries, municipal districts, civil society organisations, academy and Roma Communities, among others, actively contribute to the achievement of the set goals.

Due to the scarcity of research and information about the Roma Communities, in order to create a robust diagnosis, evaluate the dynamics and the results of the Strategy and achieve a deep knowledge of the matter, the ENICC predicts, in its Crosscutting Pillar, Priority 2, the creation of the “Observatory of the Roma Communities” to promote the realization and publication of studies on the Roma Communities.

Through this, the Observatory of Roma Communities contributes not only to the fulfillment of some of the measures intended within the Strategy, but also to the design, implementation and evaluation of the public policies in this domain. Thus it aims to become an engine for the creation of academic, scientific and institutional cooperation laws and regulations, as well as for the dialogue between the academy and the political decision makers.

 

THE OBSERVATORY OF ROMA COMMUNITIES (OBCIG) HAS THE FOLLOWING FUNCTIONS:

a) Help with the creation of public policies for the Roma population from or residing in Portugal.

 

b) Promote and do research in strategic areas with the knowledge and integration of the Roma population in mind, within an equality perspective.

 

c) Contribute to the deconstruction of stereotypes, mainly through participating in conferences, seminars, workshops and professional development courses.

 

d) Promote constructive dialogue between the academy and the political decision makers in order to increase equal opportunities and human rights with the Roma population at its core.

 

e) Continue with the “Olhares” (Looks) Collection, publishing completed scientific research (results of research projects, master or doctoral theses) in print edition, with a particular interest in the awareness of Roma communities and sustained political decision.

 

f) Create the ObCig Studies Collection in print edition, with no detriment to the creation of other collections, for the purpose of promoting the development of thematic scientific research in the Strategy’s areas (or similar).

 

g) Make completed and unpublished research available, such as master dissertations and doctoral theses, on the ObCig website.

 

h) Promote the layout of brochures that contribute to scientifically supported deconstruction of stereotypes. 

 

i) Promote national and international conferences, namely in the several areas of the National Strategy for the Integration of Roma Communities (ENICC).

 

j) Establish a network of partnerships with national and international Research Centres.

 

k) Participate in international research projects that seek to further existing awareness or produce new knowledge about the Roma community in a compared perspective.

 

l) Participate in academic scientific and social promotion and dissemination networks.

 

m) Create an international network of partnerships with non-governmental agencies that work with the Roma population and, on a global scale, with problems related to Human Rights.

 

n) Create a scientific and informative Newsletter.

 

o) Participate in national and international congresses, conferences and seminars, disseminating the scientific activity of the ObCig and public policies for the integration of the Roma population.

 

p) Participate in relevant international meetings regarding the objectives of the ObCig and the High Commissioner for Migrations.


Boas-vindas/Welcome

O Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig) pretende contribuir para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, designadamente para o reconhecimento social das pessoas, famílias e/ou comunidades ciganas e, consequentemente, para a desconstrução de estereótipos que perpetuam discursos e práticas discriminatórios.

O ObCig colabora com centros de investigação, disponibiliza estudos, financia e publica investigação científica e promove debates, encontros e outras iniciativas de interesse para a sociedade em geral, visando a melhoria das perceções e da qualidade de vida da população cigana.

Neste sentido, a coordenação do Observatório das Comunidades Ciganas pretende o desenvolvimento de um trabalho conjunto que possibilite a construção de um caminho cujos limites sejam a plena humanização das sociedades, lutando contra todas as formas de desigualdade e de discriminação sociais que minam a democracia e tornam frágeis as relações humanas; pugnar por uma sociedade sem ódio ou hierarquias sociais e culturais; por uma sociedade convergente na divergência de opiniões, gostos, normas e diferenças; por uma sociedade onde todos nasçam “livres e iguais em dignidade e em direitos” e no exercício desses direitos; por uma sociedade onde a utopia, enquanto lugar em construção, corporize a luta e a resistência político-cívica de todos/as e cada um/a pelo direito a ter voz como a capacidade de ser escutado em todas as esferas do social; pelo exercício quotidiano de resistência à frustração quando a realidade contraria a vontade de mudança social no sentido da igualdade de estatutos; pelo direito ao exercício de uma cidadania ativa, crítica, emancipatória e humanista; pelo direito a SER HUMANO NO EXERCÍCIO DESSA HUMANIDADE.

É fundamental a convergência de vontades de todas/os, num trabalho conjunto que pretende servir o bem-estar da humanidade em cada sociedade.

 

The aim of the Observatory of Roma Comunities (ObCig) is to contribute to the fulfillment of some of the objectives of the National Strategy for the Integration of Roma Comunities, such as social awareness of the Roma people, families and/or comunities and, consequently, to the deconstruction of stereotypes that perpetuate discriminatory discourses and practices.

The ObCig works with research centres, publicises studies and finances and publishes scientific research. It also promotes debates, meetings and other initiatives for the general public, seeking to improve the perceptions and the quality of life of the Roma population.

With this in mind, the coordenation of the Observatory of Roma Communities seeks to join efforts in the creation of a path whose boundaries are the humanization of societies, fighting against all forms of inequality and social discrimination that undermine democracy and weaken human relationships. The fight for a hateless society, free of social and cultural hierarchies; for a society united in the diference of opinions, interests, norms and diferences; for a society where all are born “free and equal in dignity and rights” and the exercise of those rights; for a society where the utopia, as a place in construction, embodies the struggle and the civil-political resistance of each and all for the right to have a voice and be heard. For the day-to-day resistance to the frustation that comes when reality contradicts social change of status; for the right to exercise an active, critical, emancipatory and humanistic citizenship; for the right to be HUMAN IN THE EXERCISE OF THAT HUMANITY.

The convergence of the wishes of all in order to serve humanities’ welfare in each society is paramount.


Estudos e Publicações

Os estudos desenvolvidos em Portugal que problematizam as questões ciganas têm vindo a aumentar significativamente, sobretudo a partir dos anos 90 do Século XX, sobressaindo diversas teses de doutoramento que foram concluídas na década de 2000, na área das ciências sociais.

Pretende-se, no site do Obcig, divulgar os trabalhos académicos produzidos por investigadores/as e estudantes que se dedicam a esta temática, a nível nacional e internacional.

Paralelamente, em todo o território nacional, têm sido empreendidas iniciativas de investigação e ações de intervenção que envolvem as comunidades ciganas, por entidades públicas e privadas (escolas, associações, centros de formação profissional, organizações não-governamentais, entre outras). Dar a conhecer o resultado dessas investigações e de intervenções sustentadas (locais, regionais ou nacionais) assume uma enorme relevância, através, por exemplo, de publicações diversificadas ou materiais audiovisuais produzidos.

Promover o conhecimento das realidades vividas pelas pessoas e famílias ciganas no contexto nacional é fundamental para se desvelar especificidades culturais e para se criar instrumentos para uma intervenção mais contextualizada e sustentada, capaz de reverter a situação de desvantagem social em que a população portuguesa cigana se encontra. Neste âmbito, as histórias de vida de jovens e adultos ciganos que possam ser considerados uma referência nos espaços territoriais onde atuam merecerão igualmente lugar no Obcig.

Convidamo-lo/a a partilhar os seus trabalhos, através do e-mail obcig@acm.gov.pt, para divulgação neste espaço, de modo a que os avanços teóricos e científicos, as experiências de intervenção e as respetivas conclusões alcançadas e recomendações propostas, possam contribuir para o desenvolvimento pessoal, profissional e/ou académico de todas as pessoas interessadas, bem como servir de estímulo para o desenvolvimento de novos estudos, a melhoria das práticas profissionais e a aproximação entre todas as cidadãs e cidadãos portugueses, independentemente da “ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”  (Artigo 13.º, alínea 2, da Constituição da República Portuguesa).

 

The studies that have been developed in Portugal that concern Roma issues have increased substantially, particularly from the 90s onward. Several doctoral theses in the field of social sciences that were completed in the early 2000s are highlighted.

On the ObCig website we intend to publicise academic papers done by researchers and students that are dedicated to this area, both national and internationally.

At the same time, research initiatives and intervention actions across the country that involve the Roma communities have been undertaken by public and private entities (schools, associations, vocational training centers, non-governmental agencies, etc). Publicising the result of this research and sustained intervention (local, regional ou national) becomes incredibly relevant through, for example, diversified publications or audiovisual materials.

Promoting understanding of the realities experienced by the Roma people and families in the national context is fundamental to unveiling cultural specificities and the creation of tools for a more contextualized and sustained intervention, capable of undoing the social disadvantage suffered by the portuguese Roma population. In this context, the life histories of Roma adults and youth that can be construed as reference in their territories will also have a space in the ObCig.

We invite you to share your work, to be published in this space, through our email (obcig@acm.gov.pt), so that the scientific and theoretical advances, the intervention experiences and their respective conclusions, as well as the proposed recommendations, can contribute to the personal, professional and/or academic development of all interested parties. This work can also serve as a stimulus for the development of new studies, the improvement of professional practices, and the approximation of all Portuguese citizens, regardless of “ancestry, gender, ethnicity, language, place of birth, religion, political beliefs, ideology, income, social status or sexual orientation” (Article 13, number 2 of the Portuguese Constitution).


Intro Coleção Olhares

A Coleção Olhares, criada em 2005, conta com 9 números publicados. O ObCig renova a aposta nesta coleção, que terá o suporte papel e digital, pretendendo divulgar estudos, trabalhos e/ou teses com particular interesse para a temática das comunidades ciganas. Estes estudos são da responsabilidade do investigador ou equipa que o propõe.


Página de entrada (Boas-vindas)

Bem-vindo/a,
 
O Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig) é uma unidade informal integrada no Alto Comissariado para as Migrações (ACM, I.P.).
Pretendemos contribuir para a concretização de algumas das medidas previstas na Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, para o reconhecimento social das pessoas, famílias e/ou comunidades ciganas e, consequentemente, para a desconstrução de mitos, representações e estereótipos desqualificantes.
Colaboramos com centros de investigação, disponibilizamos estudos e promovemos debates, encontros e outras iniciativas.
 
Contamos consigo e com a sua colaboração.