Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte I), Porfírio Santo

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Vozes Ciganas no Ensino Secundário (Parte I), Entrevistas
PORFÍRIO SANTO, 18 ANOS, 11.º ANO
Entrevista realizada em julho de 2018, em Vila Verde
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Podes contar-nos brevemente o teu percurso escolar até ao Ensino Secundário?
Porfírio Santo (PS): Desde muito pequeno veio de mim sempre uma grande ambição, o que faz com que o percurso escolar sempre foi… seja com sucesso.
ObCig:   Da tua experiência de frequência do Ensino Secundário, o que gostarias de dizer no que diz respeito à tua relação com os e as colegas?
PS: A minha relação com os colegas… sou um rapaz que sempre procuro interagir com as pessoas. Conhecer pessoas novas.
ObCig: E com os/as professores/as?
PS: Eu adoro os meus professores assim como sei que eles também me adoram a mim.
ObCig: E sobre os conhecimentos aprendes?
PS: Sobre as disciplinas acho que é muito bom por duas partes, primeiramente pela parte académica é muito bom, mas também a nível pessoal é ótimo. Gosto muito de história e de português o que me leva futuramente para Direito, por outro lado também gosto de Matemática o que me leva para as engenharias.
ObCig: Presentemente existem vários jovens e adultos ciganos na universidade. O que achas disso? Tu estás a pensar ir para a universidade? Porquê?
PS: Ter jovens ciganos no ensino superior enche-me a alma…é um grande exemplo e ainda por cima para jovens como eu, com esta mentalidade e com estes objetivos de alcançar o ensino superior e ver que ciganos conseguiram com certeza através de muito trabalho e dedicação. Com grandes obstáculos que existem da parte, lá está, dos preconceitos, dos racismos e conseguiram chegar lá. Eu pergunto, se não houvesse racismo ou preconceitos, onde é que os ciganos estavam agora? É um exemplo, falo por mim, é um grande exemplo e é fantástico. Claro que estou a pensar ir para a Universidade. Esse é o meu grande primeiro sonho. Uma das principais razões vem de mim, quero ser um exemplo. E depois de ter conhecido algumas pessoas ciganas… para mim são os meus ídolos, com quem estive presente com esses ciganos universitários, o que é fantástico.
ObCig: O que achas que pode mudar na tua vida continuando a estudar?
PS: Se eu não continuar os estudos eu vou ser o Porfírio, acho que isso não ia trazer qualquer qualidade a nível profissional e até pessoal, isto porquê? Porque acho que é muito importante nós estudarmos, continuarmos os estudos, porque primeiramente a nível académico é sempre muito importante no nosso currículo ter ali o ensino superior e também a nível pessoal, ficamos mais… é aquela questão do orgulho. Aquela questão, sou engenheiro, sou um advogado, é outra classe digamos.
ObCig: O que gostarias de dizer aos outros e às outras jovens ciganos, principalmente aos que estão no 3.º ciclo, para os motivar a continuar na escola?
PS: Acreditem em vocês. Têm que pular a cerca, abrir horizontes, têm que abrir a mentalidade, porque lá está é para abrir mentalidade dos ciganos e da parte da sociedade maioritária.
ObCig: Que mensagem gostarias de transmitir à sociedade?
PS: A questão do preconceito como é que eu posso olhar para uma pessoa e já defini-la… Acho que as pessoas deviam relacionar-se mais, deixar-se levar, não só porque ele é escuro, porque ele é preto, porque ele é cigano, ele é uma pessoa normal, ele quer ter as mesmas condições que têm todos, porque é que alguns têm de estar por cima e outros têm de estar por baixo. Se ele tem capacidade, se ele tem qualidades, se ele tem estudos, porque é que não têm os mesmos direitos, as mesmas oportunidades. Não só é importante a sociedade maioritária abrir as portas para a Comunidade Cigana como os próprios ciganos também têm que abrir as portas para a sociedade maioritária. Eu sou cigano e já tive um ato de preconceito com um rapaz, mas no final das contas ele acabou por ser o meu melhor amigo, isto porquê? Eu abri-me para ele assim como ele se abriu para mim, os dois, e acho que isso é importante. Por isso, a melhor maneira mesmo é abrir mentalidades, abrir horizontes e relacionar-se.

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