Aprender a Ser Cigano, Hoje: empurrando e puxando fronteiras

Resumo PT: O estudo que se apresenta foi elaborado em torno da questão central “como se aprende a ser cigano hoje”, partindo do pressuposto que, desde a “Revolução dos Cravos” do 25 de Abril de 1974, algumas medidas de política social foram introduzidas em Portugal, provocando algumas mudanças na organização social cigana, medidas de política social e de habitação cujas implicações presenciei nas comunidades ciganas com quem trabalhei, tais como o Programa Especial de Realojamento (PER), o Rendimento Mínimo Garantido (RMG), mais tarde designado de Rendimento Social de Inserção (RSI), e subsequente compulsividade da Escolaridade Obrigatória. Concretamente, pretendeu-se saber i) que mudanças ocorreram e se as comunidades ciganas têm consciência delas; ii) se estas foram profundas e/ou superficiais, conjunturais e/ou estruturais; iii) e, por fim, desvelar contornos da «lei cigana» que enformam a(s) cultura(s)(s) a braços com a tensão entre a tradição e a modernidade, nos seus processos de preservação, manutenção e mudança, visando captar a convivência dialéctica entre conservação e mudança através da abordagem da sua complexidade. Mediante uma metodologia qualitativa – entrevistas compreensivas e “observação com presença”, inquiriu-se dezanove de pessoas ciganas, de ambos os sexos e de várias idades, e visitaram-se vários acampamentos de várias regiões do país, e interagiu-se, regularmente, com pessoas ciganas nas comunidades virtuais. Abordaram-se conceitos de fronteiras, complexidade e construção de identidades múltiplas, pessoais e sociais, assente na ideia principal da aprendizagem experiencial na formação de adultos. Nesse processo, conclui-se que se aprende a ser cigano hoje, empurrando e puxando fronteiras sem as abolir.
Resumé FR: L'étude que nous présentons a été élaborée autour de la question centrale "comment apprend-on à être gitan aujourd'hui", en partant de la prémisse que, depuis la "Révolution des oeillets” du 25 avril 1974, des mesures de politique sociale qui ont été introduites au Portugal ont provoqué certains changements dans l’organisation sociale gitane. Des mesures de politiques sociales dont j’ai suivi les implications dans les communautés gitanes avec lesquelles j’ai travaillé, telles que le programme spécial de logement social (PER), le revenu minimum garanti (RMG), plus tard désigné revenu social d’insertion (RSI) et conséquemment la compulsive scolarité obligatoire. Concrètement, on a voulu savoir i) quels sont les changements survenus et si les communautés gitanes en ont conscience; ii) si ceux-ci ont été profonds et/ou superficiels, conjoncturels et/ou structuraux; iii) et, finalement, on a voulu dévoiler les contours de la «loi gitane» qui donnent forme à la(aux) culture(s) gitane(s) aux prises avec la tension entre la tradition et la modernité, dans ses processus de préservation, de maintien et de changement, en visant «capter la coexistence dialectique entre conservation et changement» par une approche de sa complexité. Par l’application d’une méthodologie qualitative – interviews compréhensives et «observation en présence» - on a interrogé dix-neuf personnes gitanes des deux sexes et de différent âge, on a visité des campements dans plusieurs régions du pays et on a interagi régulièrement avec des personnes gitanes dans les communautés virtuelles. On a abordé des concepts de frontières, complexité et construction d’identités multiples, personnelles et sociales, à partir de l’idée principale de l’apprentissage expérientiel dans la formation d’adultes. Dans ce processus, on conclue que l’on apprend à être gitan aujourd’hui, en repoussant et en rapprochant des frontières sans les abolir.

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