Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Tânia Oliveira

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Vozes Ciganas na Universidade (Parte II), Entrevistas
Tânia Oliveira, 1.º ano do Curso de Animação Socioeducativa, Escola Superior de Educação de Coimbra
Entrevista realizada no dia 23 de março de 2018, em Coimbra
Observatório das Comunidades Ciganas (ObCig): Pode contar-nos brevemente o seu percurso escolar até entrar na Universidade?
Tânia Oliveira (TO): Olá eu sou a Tânia, o meu percurso escolar foi até à 4ª classe, como todas as raparigas ciganas. Era o normal de ir até à 4ª classe, depois desisti por aí e fui para casa ajudar em casa. Mais tarde voltei a estudar, sempre tive um sonho, queria estudar e então mais tarde através da RVCC (Reconhecimento, validação e certificação de competências), fiz o sexto ano. Depois parei. Um tempo depois voltei a estudar novamente e através do RVCC fiz o 9º ano. Depois do 9º ano, então, entrei no ensino superior através dos maiores de 23. E através do projeto Opré Chavalé, que me deu oportunidade de realizar um sonho, que era ser mulher e cigana e estar na Universidade.
ObCig: Nesta nova experiência, de Frequência do Ensino Superior, o que gostaria de realçar na sua relação com os colegas?
TO: A minha relação com os meus colegas é muito boa. Tenho uma adaptação muito boa e isso também me facilitou na convivência com os meus colegas. Tenho tido o apoio deles em trabalhos de grupos e apontamentos. Por isso posso dizer que apesar de ser um meio novo, estou a adaptar-me muito bem e tenho o apoio dos meus colegas.
Obcig: E com os professores?
TO: A relação com os meus professores tem também sido excelente, porque quando tenho algumas dúvidas e algumas perguntas eles estão sempre lá para explicar. Isso é muito bom termos professores que se interessem pelos alunos e que dão atenção por isso está a correr muito bem.
ObCig: E em relação ao ambiente universitário?
TO: Eu acho que é um ambiente bom, apesar de eu estar a estudar em horário pós-laboral, não estou na Universidade durante o dia para ver o ambiente. Por isso nessa área não participo muito.
ObCig: E em relação ao conhecimento científico?
TO: A minha maior dificuldade foi por ter estado tanto tempo sem estudar, depois cheguei ao ensino superior e tive de acompanhar os outros jovens que estiveram no ensino regular, recorrente. Assim a minha maior dificuldade foi ter estado muito tempo sem estudar. Por isso agora quero recuperar.
ObCig: Em que medida considera que o facto de estar a tirar um curso superior está a mudar a sua vida e a forma como perspetiva o mundo?
TO: Sim, através deste Curso de Animação socioeducativa eu sei que vou ter muitas ferramentas que podem intervir, tanto informal como formal. Isto é uma área que sempre gostei, a mediação sociocultural, na qual trabalhei. Por isso é que me vai capacitar e dar-me muitas ferramentas para trabalhar nesta área.
ObCig: Quais são as suas expectativas quanto ao futuro?
TO: Neste momento quero terminar a licenciatura, depois quero tirar o mestrado, e quero trabalhar na minha associação para poder ajudar e capacitar outras mulheres ciganas nesta luta que é de todas nós, enquanto mulheres e ciganas. Existimos e resistimos e estamos numa luta e enquanto mulher e ativista, é uma luta que não é fácil. E estamos cá todas para nos ajudarmos umas às outras.
ObCig: O que gostaria de dizer aos outros e às outras jovens ciganas para os ajudar na construção de um caminho escolar de sucesso?
TO: Eu quero dizer aos outros jovens que nós também temos a oportunidade de estudar, que temos esses direitos, que podemos, e não vamos deixar que alguém nos diga, que nós ciganos não podemos chegar ao ensino superior, porque nós conseguimos. Se tivermos a força, a coragem, capacidade de lutar pelos nossos sonhos, ninguém nos pode impedir isso.
ObCig: Que mensagem gostaria de transmitir à sociedade?
TO: Que a sociedade não nos tente assimilar para deixarmos de ser ciganos. Eu costumo dizer uma frase que é muito minha que diz: “não tentes mudar o que sou, porque nem eu mesmo consigo”.
ObCig: Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
VL: Não, é só.

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